A semana

Chernobyl patrimônio universal da Unesco? Nem sonhar

Crédito: SERGEY DOLZHENKO

MORBIDEZ Exposição sobre a tragédia: há turistas que gostam (Crédito: SERGEY DOLZHENKO)

26 DE ABRIL DE 1986 Após as explosões, dez dias de lançamento de diversas substâncias radioativas na atmosfera (Crédito:Divulgação)

Na semana passada, o acidente nuclear da usina de Chernobyl, na Ucrânia, completou trinta e cinco anos: o reator número quatro explodiu durante um teste de segurança, a cento e trinta quilômetros de Kiev. Trinta e uma pessoas morreram, um milhão de habitantes tiveram de deixar a região, doenças se proliferaram e o meio ambiente ficou arrasado. Agora, com recorde de turistas nos últimos tempos (excluídos 2020 e 2021, devido à pandemia), o governo ucraniano tem planos de tornar Chernobyl Patrimônio Mundial da Unesco. O otimismo dos governantes tropeça em acertados e justos obstáculos éticos colocados pela ONU. É normal que o local atraia a curiosidade de turistas (a atração da espécie humana onde ocorreram tragédias atravessa todos os séculos), mas, até hoje, considerável parcela do mundo ainda lembra com repulsa e tristeza dos horrores acontecidos em 26 de abril de 1986, quando um erro humano causou a sobrecarga do reator. Igualmente repulsiva foi, à época, a manobra do governo russo para esconder o acidente — atitude típica de ditaduras obscurantistas. O combustível nuclear queimou e liberou na atmosfera substâncias radioativas. Chernobyl e todas as usinas nucleares deveriam deixar de existir. Essa, sim, deve ser a decisão da Unesco, até porque é a vontade das nações civilizadas.

75% da Europa foi contaminada, sobretudo a Rússia, e, inevitavelmente, a própria Ucrânia

LIVROS
Pelas lentes de Bob Wolfenson

Divulgação

Errado aquele que resume a fotografia a um simples registro — há quem use o botão da câmera somente para congelar o tempo. E há quem, com o mesmo aparelho, faz-se artista. Bob Wolfenson enquadra-se naqueles que usam as lentes fotográficas como ferramentas artísticas e seus trabalhos já percorreram o Brasil. Wolfenson eternizou momentos que, hoje, estão reunidos no lançamento do livro “Bob Wolfenson: Desnorte”, feito pela Galeria Millan. Os exemplares serão lançados na quinta-feira 6 e podem ser adquiridos no site: www.kickante.com.br/campanhas/bob-wolfenson-livro-50-anos-carreira.

JUSTIÇA
Revogada prisão de Eduardo Cunha

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha teve a sua prisão preventiva revogada pelo TRF-4. Devido à pandemia, ele estava em prisão domiciliar desde março de 2020. Fora condenado a 14 anos de reclusão, em 2016, pela Lava Jato: evasão de divisas, corrupção e lavagem de dinheiro. A revogação segue protocolarmente o que diz a lei: excesso de prazo de medida cautelar preventiva. Cunha segue em prisão domiciliar por outro processo. Não precisará usar tornozeleira, não poderá sair do País.

GESTÃO
Guedes levanta a bola contra ele mesmo

MATEUS BONOMI

Paulo Guedes e o ministro da Economia da Argentina, Martín Guzmán, se estranharam na semana passada. O Posto Ipiranga não foi nada bem na teoria sobre o papel do Estado na vida econômica. Disse Guzmán que “a mão invisível de Adam Smith é invisível porque não existe”, criticando o modelo liberal. Guedes saiu em defesa do neoliberalismo: “metade dos Prêmios Nobel foi ganha por economistas da Universidade de Chicago”. Deu como exemplo de sucesso o aumento do comércio no leste asiático e na china. Levantou contra ele uma bola fácil de ser cabeceada: se o método é tão bom, porque ele, Guedes, não consegue colocá-lo em prática? De duas, uma: ruim é o modelo ou o ministro. Mais Guedes, agora sob pressão do Congresso: demitiu Waldery Rodrigues do cargo de secretário especial da Fazenda: divergências sobre o Orçamento no Congresso. Entra Bruno Funchal, secretário do Tesouro Nacional. Também deixa o Ministério Vanessa Canado.