A um mês e meio do fim do ano, a chegada de imigrantes ao arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, próximo à costa africana, superou em 2023 o recorde de 2006, segundo números oficiais divulgados nesta quinta-feira (16).

Entre 1º de janeiro e 15 de novembro, 32.436 imigrantes chegaram a estas ilhas espanholas perto do noroeste da África, em comparação com 31.678 em todo o ano de 2006, segundo um relatório quinzenal do Ministério do Interior. Esta marca representa um aumento de 118% em relação ao mesmo período de 2022.

De acordo com a Frontex, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, o número de migrantes que chegaram às Canárias apenas em outubro (13.006) representa um recorde mensal desde que estes dados começaram a ser contabilizados em 2009.

Há vários anos, a rota migratória até este arquipélago espanhol, através do oceano Atlântico, tem sido utilizada por emigrantes devido ao endurecimento da vigilância no Mar Mediterrâneo.

Os naufrágios são frequentes nesta longa e perigosa travessia, realizada em embarcações precárias procedentes do Marrocos e do Saara Ocidental, a cerca de 100 km, mas também de países mais afastados como a Mauritânia, Senegal e Gâmbia.

Segundo a ONG espanhola Caminando Fronteras, que recebe chamadas de emergência de emigrantes irregulares no mar ou de seus familiares, mais de 7.800 migrantes morreram entre 2018 e 2022 tentando chegar às Ilhas Canárias. No primeiro semestre de 2023, morreram 778 pessoas.

Diante do recente aumento de chegadas, o Governo espanhol reforçou a vigilância e a cooperação com Senegal e Mauritânia com objetivo de freá-las.

O número de migrantes que chegam às Canárias nos últimos meses supera em muito a capacidade do arquipélago.

Na quinta-feira, antes de ser reeleito como presidente do Governo, o socialista Pedro Sánchez garantiu aos deputados espanhóis que seu Executivo “está fazendo o necessário para redistribuir os migrantes” por abrigos em outras regiões da Espanha para aliviar a pressão no local.

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