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Estados Unidos comemoram 50 anos da chegada do homem à Lua

Estados Unidos comemoram 50 anos da chegada do homem à Lua

Buzz Aldrin na Lua em 21 de julho de 1969

Há 50 anos, os astronautas americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin se tornaram os primeiros humanos a pisar na Lua, um feito transmitido pela televisão para cerca de 500 milhões de pessoas.

O módulo lunar (LEM), conhecido como Eagle (Águia), pousou no satélite em 20 de julho de 1969 às 20h17 GMT (17h17 de Brasília), embora alguns documentos da Nasa indiquem que isso aconteceu um minuto depois, às 20h18 GMT.

Pouco mais de seis horas depois, às 02h56 GMT (23h56), o major Armstrong colocou o pé esquerdo na superfície lunar e pronunciou a frase pela qual ele sempre será lembrado: “É um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”.

A agência espacial americana marcou neste sábado o momento exato do primeiro pouso na Lua da história, emitindo a gravação da transmissão ao vivo daquele acontecimento.

“Houston, aqui Base Tranquilidade. A Águia pousou”, disse o comandante da missão Apollo 11, falecido em 2012.

“Em retrospectiva, chegar à Lua não era só o nosso trabalho, era uma oportunidade histórica para mostrar ao mundo o espírito positivo dos Estados Unidos”, tuitou Edwin “Buzz” Aldrin, de 89 anos, antes de subir em um avião com destino ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida, de onde decolou em 16 de julho de 1969.

“O dia de hoje pertence a vocês”, acrescentou.

A Nasa se preparava para o aniversário há semanas, com inúmeras exposições e eventos nos centros espaciais da Flórida (Kennedy) e Houston, Texas (Johnson).

O vice-presidente americano, Mike Pence, deu um discurso no Centro Kennedy, em Cabo Canaveral, o lugar de onde decolaram Armstrong, Aldrin e Michael Collins rumo à Lua.

“Hoje nossa nação homenageia três astronautas corajosos”, declarou Pence, ao lado de Aldrin. “Apollo 11 é o único evento do século XX que tem uma possibilidade de ser amplamente recordado no século XXX”, acrescentou.

Os festejos reanimaram o debate público sobre o projeto atual da agência espacial, chamado Artemis, para regressar à Lua em 2024.

– Projeto Artemis –

Mas o futuro de Artemis – batizado em homenagem à deusa grega, irmã gêmea de Apollo – dependerá da vontade do Congresso para aumentar o orçamento da Nasa, de cerca de 21 bilhões de dólares por ano, algo que parece pouco provável.

A eleição presidencial de novembro de 2020 poderia também resultar essencial para o futuro do projeto, cujos objetivos incluem colocar pela primeira vez uma mulher na superfície lunar.

Muitos especialistas, incluindo alguns dentro da Nasa, consideram que será impossível voltar à Lua antes de 2024, a data estabelecida pelo governo de Donald Trump.

Tanto o foguete como a cápsula para a tripulação e a estação orbital, elementos-chave da missão, sofreram atrasos e falta muito para que estejam prontos para voar.

Pence aproveitou a ocasião para anunciar que a cápsula Orion que levará os astronautas à Lua havia sido fabricada. Mas segundo seu fabricante, Lockheed Martin, ainda são necessários vários meses de testes antes de que esteja pronta para o lançamento.

Tanto Aldrin como Michael Collins, o terceiro tripulante da Apollo 11 que permaneceu na órbita da Lua, participaram deste debate, ajudando Trump, que criticou a agência espacial.

Entrevistado na sexta-feira pela Fox News, a rede de notícias favorita do mandatário, Aldrin se mostrou crítico com a Nasa: “Não desenvolvemos os foguetes nem as naves de alto desempenho necessárias”.

Trump recebeu, na sexta, os dois astronautas do Apollo 11 no Salão Oval da Casa Branca, e aproveitou a ocasião para contradizer o chefe da Nasa, Jim Bridenstine, também presente.

Após Bridenstine explicar as razões técnicas pelas quais é preciso voltar à Lua antes de tentar fazer humanos pousarem em Marte, Trump perguntou a Collins o que ele pensava sobre isso, e o veterano de 88 anos respondeu sem hesitar: “Direto para Marte”.

“Parece-me que é direto para Marte, quem sabe mais que estas pessoas?”, disse então Trump, que declarou recentemente que seu objetivo é plantar bandeira no planeta vermelho, o que a Nasa tem previsto fazer na década de 2030.

“Meu governo tem o compromisso de restabelecer o domínio e a liderança da nossa nação no espaço pelos próximos séculos”, disse Trump em uma mensagem divulgada neste sábado pela Casa Branca.

Desde o fim do programa Apollo, que pousou a última dupla de astronautas no satélite em dezembro de 1972, vários presidentes anunciaram o relançamento do programa espacial americano.

Mas a brecha entre as ambições e a realidade orçamentária condenou esses projetos.