Chefe do tráfico e outras sete pessoas morrem durante ação da PM no RJ

Criminosos reagiram com uma série de atos de retaliação em vias próximas às favelas afetadas; ônibus é incendiado e outros são sequestrados

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Oito pessoas morreram durante uma operação do Bope na manhã desta quarta-feira, 18, em comunidades da região central do Rio de Janeiro. Entre os mortos está Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló, identificado pela polícia como o chefe do tráfico no Morro dos Prazeres e ligado ao Comando Vermelho. Duas outras pessoas ficaram feridas na ação.

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No final da manhã, criminosos reagiram com uma série de atos de retaliação em vias próximas às favelas afetadas — como Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos. Na Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, um ônibus foi incendiado, enquanto outros veículos do tipo foram sequestrados e usados para bloquear o trânsito.

Confira

Inocentes foram feitos reféns

Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 18, o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, informou que seis criminosos invadiram uma quitinete e fizeram o morador Leandro Silva Souza e sua esposa, Roberta, de reféns antes de efetuarem disparos.

Segundo ele, o casal foi mantido sob ameaça em um único cômodo da residência, onde ocorreram os tiros — ação classificada como covarde pelo secretário. O comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, afirmou que a polícia tentava uma solução pacífica, mas houve disparos de dentro do imóvel.

Leandro foi atingido na cabeça, e a tropa respondeu, resultando na neutralização dos seis criminosos. Roberta foi resgatada em segurança, em estado de choque, e deverá prestar depoimento.

O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, exibe a ficha criminal de Jiló / Reprodução / Redes sociais 

“Essa quadrilha não respeita os moradores locais. Tentaram desfocar e desestabilizar a ação policial ao realizar a queima desse veículo (ônibus). Nós não recuaremos”, declarou Menezes. “Lamentamos a morte do morador Leandro”, concluiu.

De acordo com a polícia, a negociação com os suspeitos durou entre 15 e 20 minutos. Segundo o agente, não foi possível determinar exatamente a duração devido ao alto nível de estresse que o fato demandou. No imóvel, localizado na Rua Barão de Petrópolis, foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas e dois revólveres calibre .38.

Escolas fechadas

Quatro viaturas do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) restringiram o acesso ao Morro do Fallet e dos Prazeres, pela Rua Estrela, no Rio Comprido.

A PM ainda informou que mais de 150 agentes participam da operação, com o apoio de 14 viaturas e dois veículos blindados. A ação contou com equipes do 5º BPM (Praça da Harmonia) e é baseada em informações da Subsecretaria de Inteligência da corporação.

Devido à operação, sete escolas da rede municipal suspenderam as atividades, três no Fallet-Fogueteiro, duas na Coroa, uma no Escondidinho e uma nos Prazeres. A Secretaria Municipal de Saúde informou, ao O Globo, que uma unidade de Atenção Primária está sem funcionamento, enquanto outras três seguem atendendo, porém sem realizar atividades externas.

O que se sabe sobre Jiló

Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló, acumula 135 anotações criminais desde a década de 1990, incluindo tráfico de drogas, homicídio, sequestro, cárcere privado e roubo. Contra ele, haviam 10 mandados de prisão em aberto, e é apontado como chefe do tráfico no Morro dos Prazeres, localizado no Centro do Rio de Janeiro.

Jiló é suspeito de envolvimento na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em 2016, após a vítima entrar por engano na comunidade. Bardella foi morto, e o primo, feito refém, foi obrigado a circular por horas com o corpo no carro antes de ser liberado. Segundo a polícia, Jiló havia deixado a prisão cerca de 30 dias antes do crime, após progressão de pena.