Chefe do Parlamento da Venezuela se reúne com familiares de mortos em bombardeios dos EUA

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, reuniu-se neste domingo (30) com familiares das pessoas falecidas nos bombardeios americanos contra embarcações de supostos narcotraficantes, informou em coletiva de imprensa.

O governo do presidente Donald Trump realizou ataques contra cerca de 20 barcos suspeitos de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico desde o início de setembro, com um saldo de pelo menos 83 mortos, sem apresentar nenhuma prova de que estivessem sendo usados para o tráfico.

A Venezuela, que classifica os ataques como “execuções extrajudiciais” e solicitou à ONU que investigasse os fatos, alega que essas operações na realidade buscam derrubar o presidente Nicolás Maduro.

“Há poucos minutos nos reunimos no gabinete da presidência da Assembleia Nacional com familiares de venezuelanos assassinados, executados extrajudicialmente nas ações claramente ilegítimas e ilegais que têm sido perpetradas desde 2 de setembro por militares dos Estados Unidos”, disse Rodríguez.

O chefe do Parlamento, principal mediador venezuelano com o governo de Trump, também mencionou um artigo do Washington Post que afirma que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, havia ordenado durante um dos bombardeios que todos os passageiros do barco fossem eliminados, o que levou os militares a realizar um segundo ataque.

Rodríguez classificou essa ação como “crime de guerra”. Mas “já que não há nenhuma guerra declarada entre países, isso que ocorreu, ou isso que tem ocorrido, não pode ser catalogado de outra forma senão como assassinatos de execuções extrajudiciais”, argumentou.

Rodríguez também anunciou que a Assembleia proporia a criação de uma comissão especial, composta por parlamentares, “para investigar os graves fatos que levaram ao assassinato de venezuelanos em águas do mar do Caribe”.

Disse que a comissão também irá avaliar medidas de proteção para os familiares das vítimas, que receberam supostas ameaças “por setores e pessoas que têm um máximo interesse em que não digam a verdade e não se esclareçam os fatos”.

O jornal The New York Times informou na sexta-feira que Trump e Maduro conversaram na semana passada por telefone e abordaram uma possível reunião nos Estados Unidos.

Rodríguez recusou-se a confirmar ou desmentir essa informação ao ser questionado por jornalistas.

bc/pgf/ad/ic