Chefe de inteligência da Colômbia diz que cooperação com CIA segue ‘fluida’ apesar de tensões com EUA

O chefe da agência civil de inteligência da Colômbia, Jorge Lemus, afirmou nesta sexta-feira (28) que a cooperação com a CIA e outras agências americanas é “completamente fluida”, apesar das tensões entre os presidentes dos dois países.

Em entrevista à AFP, o diretor da Direção Nacional de Inteligência (DNI) disse que a colaboração segue “exatamente igual”, apesar das sanções impostas pelo governo de Donald Trump ao presidente Gustavo Petro, de esquerda.

Ele também classificou como uma “montagem” as conversas divulgadas em uma recente investigação da Caracol Televisión, que sugerem vínculos entre altos funcionários colombianos e um líder guerrilheiro.

No meio do maior escândalo de espionagem do governo de Petro, Lemus afirmou que há indícios de uma “montagem” nas conversas entre dissidentes reveladas, mas negou que a CIA tenha vazado essa informação à imprensa, como o presidente colombiano havia sugerido inicialmente.

Uma estreita cooperação em segurança entre Colômbia e Estados Unidos, que dura décadas, foi interrompida no mês passado, quando Washington impôs sanções a Petro e o acusou de ajudar narcotraficantes.

Petro, ex-guerrilheiro que ingressou na política após assinar um acordo de paz em 1990, critica duramente as “execuções extrajudiciais” de supostos narcotraficantes em águas internacionais do Pacífico e do Caribe ordenadas pela Casa Branca, e alertou que a Colômbia deixaria de compartilhar inteligência com os Estados Unidos.

Mas o intercâmbio de informações entre os dois países continua normalmente, segundo Lemus. “Eles têm colaborado muito conosco. Nós também”.

“Não apenas com a CIA. Com todas as agências de inteligência dos Estados Unidos, a comunicação é completamente fluida”, disse.

“No fim das contas, todos estamos enfrentando o narcotráfico”, afirmou.

Ele acrescentou que a Colômbia destruiu cerca de 10 mil laboratórios de cocaína neste ano. “Muitas vezes lado a lado” com os Estados Unidos, disse.

Petro insiste que, em seu governo, foram realizadas apreensões recordes de drogas, e considera injustas as sanções americanas.

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