Chefe de gabinete argentino rejeita suspeitas sobre seu patrimônio

O chefe de gabinete de ministros argentino, Manuel Adorni, rejeitou nesta quinta-feira (25) questionamentos sobre seu patrimônio após a divulgação de imagens de uma viagem familiar em avião privado e versões sobre supostos bens não declarados.

“Não tenho nada a esconder (…) com o meu dinheiro faço o que quero”, disse o ministro em uma coletiva de imprensa na qual se recusou a responder perguntas que aprofundassem detalhes sobre seu patrimônio “porque fazem parte de um processo judicial em andamento”.

Adorni ficou no centro da polêmica depois que, em 11 de março, foram divulgadas imagens dele embarcando em um avião privado junto com a esposa e dois filhos pequenos em Buenos Aires para passar férias no balneário uruguaio de Punta del Este, em fevereiro.

Depois, foi questionado por incluir a esposa, que não é funcionária pública, na comitiva oficial que viajou no avião presidencial para Nova York, de 9 a 12 de março, para participar da feira de negócios “Argentina Week”.

“Foi uma péssima decisão, não um delito”, havia dito o ministro a esse respeito ao retornar da viagem, quando mencionou que havia comprado para ela uma passagem aérea de cerca de 5.400 dólares (R$ 28.200) que acabou não sendo utilizada, algo que levantou dúvidas sobre a capacidade econômica do ministro coordenador.

A imprensa local informou posteriormente que Adorni supostamente possui duas propriedades na província de Buenos Aires que não constam em sua declaração jurada apresentada ao Escritório Anticorrupção.

Segundo essa declaração, Adorni possui dois apartamentos em Buenos Aires, um recebido em doação, economias de cerca de 50 mil dólares (R$ 261 mil) e dívidas de 90 mil dólares (R$ 470 mil). Seu salário como ministro gira em torno de 3 milhões de pesos mensais (cerca de R$ 7.800 na cotação oficial).

“O que não está declarado é porque a declaração jurada ainda não venceu”, argumentou.

“Você é apenas um jornalista, não é um juiz”, respondeu Adorni ao repórter que perguntou sobre seus gastos.

O ministro, um dos principais colaboradores do presidente Javier Milei, considerou que as suspeitas sobre seu patrimônio respondem “a uma operação política e midiática para prejudicar o governo”.

O presidente e sua irmã, a secretária da Presidência Karina Milei, estão envolvidos em um caso de suposta fraude pela promoção da criptomoeda Libra, que está sob investigação judicial na Argentina e nos Estados Unidos.

O governo também enfrenta um processo judicial por uma suposta rede de subornos na compra de medicamentos para a área de deficiência.

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