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Chefe da ONU pede diálogo a EUA e China

Chefe da ONU pede diálogo a EUA e China

O secretário-geral da ONU, António Guterres - POOL/AFP


O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu Estados Unidos e China, nesta terça-feira (21), contra uma maior degradação do mundo já “à beira do precipício”, conclamando-os ao “diálogo” e ao “entendimento”, na abertura da Assembleia Geral Anual das Nações Unidas.

“Estamos enfrentando a maior cascata de crises da nossa vida”, observou.

“Temo que nosso mundo esteja caminhando para dois conjuntos diferentes de regras econômicas, comerciais, financeiras e tecnológicas, duas abordagens divergentes no desenvolvimento da Inteligência Artificial – e, em última análise, duas estratégias militares e geopolíticas diferentes”, comentou.

“É uma receita para problemas. Seria muito menos previsível do que a Guerra Fria. Para restaurar a confiança e inspirar esperança, precisamos de cooperação”, defendeu o chefe da ONU a uma audiência de líderes mundiais, incluindo o presidente americano, Joe Biden, que escolheu ir a Nova York, apesar da pandemia de covid-19.

“Precisamos de diálogo. Precisamos de compreensão. Precisamos investir na prevenção, na manutenção e na construção da paz. Precisamos de avanços no desarmamento nuclear e nos esforços comuns de combate ao terrorismo. Precisamos de ações baseadas no respeito aos direitos humanos”, insistiu Guterres.

Em uma alusão implícita a Mianmar, Mali, Guiné e Sudão, o chefe da ONU lamentou ver “também uma explosão de tomadas de poder pela força”.

“Os golpes militares estão de volta”, e “a falta de unidade dentro da comunidade internacional não está ajudando”, lamentou.

“As divisões geopolíticas minam a cooperação internacional e limitam a capacidade do Conselho de Segurança de tomar as decisões necessárias. Ao mesmo tempo, será impossível enfrentar os dramáticos desafios econômicos e de desenvolvimento, enquanto as duas maiores economias do mundo estão em desacordo”, acrescentou o secretário-geral, referindo-se a Pequim e Washington.

No último ano de seu primeiro mandato à frente da ONU e se preparando para iniciar um novo em janeiro, António Guterres já havia alertado em 2018 (divisão “sino-americana”), em 2019 (“a grande divisão”) e em 2020 (uma “nova Guerra Fria”) sobre o risco de um mundo bipolar preso às tensões sino-americanas.

A sessão de alto nível da Assembleia Geral da ONU, da qual participam fisicamente mais de 100 chefes de Estado e de Governo, bem como dezenas de ministros, deve prosseguir até segunda-feira (27).

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