O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse em um relatório nesta segunda-feira (31) estar “preocupado” porque o Irã não esclareceu dúvidas sobre vários locais onde poderia haver atividade nuclear não declarada.
“O diretor-geral está preocupado com o fato de que as discussões técnicas entre o Irã e a Agência não produziram os resultados esperados”, em referência às discussões sobre as usinas com autoridades iranianas, informou o relatório consultado pela AFP.
Essas reuniões, que começaram no início de abril, visam esclarecer a possível presença de material nuclear em vários locais. “A agência não sabe sua localização atual”, explica a AIEA, com sede em Viena.
Em seu relatório de fevereiro, a agência da ONU havia mencionado, embora sem nomeá-lo, um desses locais, especificamente um depósito no distrito de Turquzabad, na capital.
O documento, que o Conselho de Governadores analisará na próxima semana, também aborda a questão das reservas de urânio enriquecido do Irã.
Sua quantidade, cerca de 3.241 quilos, supera 16 vezes o limite autorizado pelo acordo internacional de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, fixado em 202,8 quilos.
O Irã começou a violar seus compromissos nucleares em 2019, em resposta à saída unilateral um ano antes dos Estados Unidos de Donald Trump do acordo nuclear e sua reimposição de sanções contra Teerã.
Negociações estão em curso em Viena para o retorno dos Estados Unidos ao acordo, que visa impedir o Irã de se equipar com a bomba atômica.