Chavismo vai às ruas de Caracas para pedir libertação de Maduro

Milhares de apoiadores de Nicolás Maduro marcharam nesta sexta-feira (23) em Caracas pela libertação do presidente deposto, justamente no dia em que se comemoram 68 anos da queda da ditadura militar na Venezuela.

Forças americanas capturaram Maduro e a esposa, Cilia Flores, em uma operação militar em 3 de janeiro. Delcy Rodríguez, que era sua vice-presidente, governa desde então de forma interina, sob fortes pressões de Washington.

O chavismo tem mobilizado suas bases quase todos os dias na capital. Nesta sexta-feira, 23 de janeiro, saiu às ruas em comemoração à queda da ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez, em 1958, e com a reivindicação persistente de ver livres Maduro e a esposa, que enfrentam um julgamento por narcotráfico em Nova York.

“Nós os queremos de volta”, lia-se em uma faixa gigante estendida perto da Praça O’Leary, no coração de Caracas, onde foi montado um palanque e se concentravam várias centenas de manifestantes, muitos com guarda-chuvas e capas de chuva para se proteger do tempo.

Ao som de música, Marlene Blanco compareceu para celebrar “mais um aniversário da derrubada de Pérez Jiménez” e, ao mesmo tempo, pedir a liberdade de Maduro e Flores.

A captura deles “foi algo ilegal, algo injusto”, reclamou.

“Nosso maior triunfo nestes dias será trazer de volta o presidente Maduro e Cilia”, disse à televisão estatal o poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, cercado por manifestantes.

Janeth Estancio aguarda esse momento com esperança. “O dia em que eles nos devolverem [Maduro] será uma grande festa nacional”, prevê essa funcionária da prefeitura de Caracas, de 57 anos.

Enquanto isso, a presidente interina deu uma guinada na relação com Washington, com acordos petrolíferos e a libertação de presos políticos. O presidente Donald Trump chegou inclusive a convidar Rodríguez para uma reunião na Casa Branca, em data ainda a ser definida.

Blanco considera que Rodríguez, que assumiu totalmente as rédeas do governo, tem uma “tarefa muito difícil”.

“Mas ela soube cumpri-la porque [Maduro e ela] são da mesma escola, ela também luta pela nossa revolução”, assegura a contadora de 65 anos.

Cabello reafirmou na marcha que Delcy Rodríguez “tem todo o apoio do partido” no poder “para seguir avançando”.

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