Chanceler alemão apela aos EUA: ‘vamos reparar a confiança transatlântica’

O chanceler alemão Friedrich Merz defendeu nesta sexta-feira (13) uma “nova parceria transatlântica” entre os Estados Unidos e a Europa, em uma mensagem em inglês direcionada a Washington durante a Conferência de Segurança de Munique.

Merz falou na sessão inaugural da conferência, que reúne quase 60 líderes mundiais para abordar questões de segurança, antes do aguardado discurso do chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, no sábado (14).

“Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão suficientemente fortes para seguir sozinhos”, disse Merz, mudando seu discurso para o inglês com o objetivo de falar diretamente a Washington.

“Caros amigos, fazer parte da Otan não é apenas a vantagem competitiva da Europa. Também é a vantagem competitiva dos Estados Unidos. Portanto, vamos reparar e revitalizar juntos a confiança transatlântica. Nós, europeus, estamos fazendo a nossa parte”.

Em outro momento da mensagem, Merz afirmou que abriu “conversações confidenciais com o presidente francês (Emmanuel Macron) sobre a questão da dissuasão nuclear europeia”.

A possibilidade de estender a dissuasão nuclear francesa a outros países europeus ganhou força nos últimos meses, diante do temor de que, no futuro, o continente já não possa contar com o guarda-chuva de proteção dos Estados Unidos.

Emmanuel Macron, cujo país possui a bomba atômica, assim como o Reino Unido, fará um discurso nas próximas semanas sobre a doutrina da dissuasão nuclear francesa.

O chanceler também citou o que chamou de “verdade incômoda” para mencionar uma “fratura” entre Estados Unidos e Europa, alimentada pelas guerras culturais do movimento MAGA do presidente americano Donald Trump.

MAGA é o acrônimo em inglês do lema trumpista “Make America Great Again”.

“Permitam que eu comece com a verdade incômoda: uma fratura, uma profunda divisão, se abriu entre a Europa e os Estados Unidos”, disse Merz.

“O vice-presidente (dos EUA) JD Vance disse isto há um ano aqui em Munique. Ele tinha razão em sua descrição”, acrescentou, em referência a um discurso de 2025 em que Vance acusou a Europa de reprimir a liberdade de expressão e outros direitos democráticos.

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