Esportes

Chama olímpica já ilumina em Tóquio os ‘Jogos da Pandemia’


Adiados há um ano por causa da pandemia, os Jogos Olímpicos mais esperados da história foram oficialmente “abertos” nesta sexta-feira (23) pelo imperador japonês, Naruhito, e a pira acesa pela tenista Naomi Osaka já ilumina o céu de Tóquio, após uma cerimônia sem público no Estádio Olímpico e com restrições no tradicional desfile de atletas.

O dia que o Japão esperava desde 13 de setembro de 2013, quando Tóquio foi escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2020, finalmente chegou, com a cerimônia de abertura da mais caótica e complicada edição do evento esportivo planetário da era moderna.

Pouco depois das 20h locais (8h de Brasília), a cerimônia de abertura começou em um Estádio Olímpico sem público, devido às restrições sanitárias adotadas para evitar o avanço da pandemia da covid-19.

Em um mundo que segue vivendo com a covid-19, a cerimônia teve um ar menos festivo do que de costume, longe do que foi vivido em 2016, por exemplo, no Rio de Janeiro, ao ritmo de samba.

“Declaro abertos os Jogos de Tóquio”, pronunciou solenemente o imperador Naruhito, segundo a fórmula consagrada para este evento.

A edição olímpica atual já foi batizado de “Jogos da Pandemia”.

A tenista Naomi Osaka, número 2 do mundo, foi a encarregada de acender a pira olímpica.

A pandemia esteve presente em muitos momentos da cerimônia: alguns segundos de silêncio foram observados em homenagem às vítimas ao redor do mundo; uma enfermeira fez parte do grupo que entrou no estádio com uma bandeira gigante do Japão; e se transmitiu um vídeo com atletas treinando em casa, com meios precários.

Em seu discurso, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, admitiu que esses Jogos serão “muito diferentes do que todos nós poderíamos ter imaginado”, mas ressaltou que, “hoje, é um momento de esperança”.

– Aproveitar o momento –

“Vamos aproveitar o momento, porque afinal estamos todos reunidos aqui (…) Esse sentimento de unidade é a luz no fim do túnel escuro que é essa pandemia”, convidou Bach.

Os atletas, que serão submetidos a controles diários anticovid-19, desfilaram com restrições: máscaras, sem poder pular, ou dançar (embora alguns não tenham resistido), e deixaram o estádio sem poderem ficar até o final da cerimônia.

Participaram 5.700 atletas, pouco mais da metade dos que competirão nas próximas duas semanas.



O ato de abertura dos Jogos da XXXII Olimpíada também serviu para que o país-sede oferecesse ao mundo um exemplo de sua capacidade tecnológica, como no momento em que dezenas de drones desenharam um globo no céu de Tóquio.

O medo do aumento do contágio levou grande parte da opinião pública japonesa a se manifestar nos últimos meses contra a realização do evento. Também resultou na aplicação de restrições mais rígidas para delegações e imprensa.

Publicada pelo jornal Asahi Shimbum, a pesquisa mais recente mostra que 55% dos japoneses não querem a realização das Olimpíadas.

Em outro sinal de contrariedade com os Jogos, vários dos principais patrocinadores locais, como as multinacionais Toyota, Panasonic, Fujitsu e NEC, não enviaram seus dirigentes à cerimônia de abertura.

Até o imperador Naruhito admitiu as dificuldades: “Administrar os Jogos, tomando, ao mesmo tempo, todas as medidas possíveis contra a covid-19, está longe de ser uma tarefa fácil”, teria dito ele a Thomas Bach, em uma visita do dirigente olímpico ao palácio imperial na quinta-feira (22), de acordo com a agência de notícias Kyodo News.

Esta visita aconteceu no dia em que 1.979 novos casos de covid-19 foram registrados, o maior número desde o início do ano. O país tem sido pouco afetado pela pandemia até agora, apesar de acumular cerca de 15.000 mortes, um número muito menor do que em muitas outras nações.

Depois de lutar, nos últimos meses, para evitar o cancelamento do evento, Bach também admitiu as dificuldades: “Nos últimos 15 meses, tivemos que tomar muitas decisões por motivos muito incertos. Tínhamos dúvidas todos os dias. Temos deliberado e discutido. Foram noites sem dormir”, disse o executivo, na abertura da sessão do COI na terça-feira (20).

– “O fim do túnel” –

“Estamos finalmente vendo o fim do túnel. O cancelamento nunca foi uma opção para nós. O COI nunca abandona seus atletas”, acrescentou Bach.

Mas, na manutenção dos Jogos, os interesses econômicos também são mistos. O Japão gastou quase 15,5 bilhões de dólares no evento, com um custo extra de 2,7 bilhões de dólares para o adiamento e para a implementação das medidas sanitárias.

Os organizadores japoneses tiveram de enfrentar não apenas os problemas derivados da pandemia, mas também vários escândalos que mancharam sua imagem.

Na quinta-feira, o diretor da cerimônia de abertura, Kentaro Kobayashi, foi demitido por uma piada sobre o Holocausto feita há duas décadas.

Ele é o quarto dirigente da organização, pelo menos, a ser obrigado a deixar suas funções, devido a vários escândalos desde fevereiro.

No plano esportivo, algumas competições já começaram, como futebol e softbol, e, nesta sexta-feira, o remo.

Na quinta-feira (22), Brasil e México estrearam com vitórias no torneio olímpico masculino (4-2 contra a Alemanha, e 4-1, diante da França, respectivamente), enquanto a Espanha não passou do empate sem gols com o Egito, e a Argentina perdeu por 2 a 0 para a Austrália.

mcd/psr/mr/tt

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