Trump afirma que cessar-fogo prossegue apesar de novos confrontos com o Irã

Washington e Teerã trocam acusações e ataques após agressão a navios militares americanos em via crucial

Trump afirma que cessar-fogo prossegue apesar de novos confrontos com o Irã

A tensão entre Estados Unidos e Irã se acirra no Oriente Médio, com o presidente americano, Donald Trump, minimizando o ataque iraniano contra três navios militares americanos no Estreito de Ormuz como “insignificante”. Apesar das declarações, Washington retaliou com ataques contra instalações militares iranianas após a agressão, reacendendo o conflito na região. Os confrontos recentes, ocorridos entre quinta e sexta-feira, abalam o frágil cessar-fogo que estava em vigor desde o início de abril.

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O que aconteceu

  • Os ataques e contra-ataques entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz enfraquecem o cessar-fogo regional em vigor.
  • Washington realizou retaliações contra instalações militares iranianas após navios americanos serem alvo de mísseis e drones.
  • O governo iraniano, por sua vez, acusa os EUA de terem violado a trégua e negou participação em outros ataques recentes.

Pouco antes da declaração de Trump, o governo americano anunciou um ataque direto contra as “instalações militares iranianas” como resposta à agressão sofrida por seus navios em Ormuz. Esta via marítima é crucial para o trânsito de combustíveis, estando bloqueada por Teerã desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

O Irã, por sua vez, acusou as forças militares dos Estados Unidos de terem iniciado a troca de disparos e de violação do cessar-fogo estabelecido. Os novos confrontos enfraquecem ainda mais a trégua em vigor desde 8 de abril, ou seja, há quase um mês.

A crise no Estreito de Ormuz

Na manhã desta sexta-feira (8), a defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos foi acionada para interceptar drones e mísseis lançados a partir do Irã, segundo denúncia de seu Ministério da Defesa. Teerã não reagiu de maneira imediata à acusação. No início desta semana, o governo iraniano havia desmentido “categoricamente” qualquer participação nos ataques dos últimos dias denunciados por este país do Golfo.

Na noite desta quinta-feira, Trump exortou o Irã a assinar um acordo “rápido”, em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social, sob pena de ser atacado de “forma mais dura e com muito mais violência no futuro”.

O Centcom, o comando militar americano responsável pelas operações no Oriente Médio, informou na rede social X que as forças iranianas lançaram “vários mísseis, drones e pequenas embarcações” contra seus três navios de guerra, mas nenhum foi atingido. A nota acrescenta que as forças americanas eliminaram “as ameaças em aproximação” e atacaram “as instalações militares iranianas responsáveis”.

O comando militar central do Irã acusou os Estados Unidos de violação do cessar-fogo ao atacar um petroleiro e outro navio. Segundo um comunicado, as forças de Teerã responderam “imediatamente e em represália contra os navios militares americanos”. A televisão iraniana relatou explosões em um porto da ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. Teerã bloqueia esta passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O conflito provocou milhares de mortes, em particular no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.

As negociações entre as partes permanecem ativas?

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador, expressou otimismo antes dos confrontos de quinta-feira: “Acredito de modo veemente que este cessar-fogo se tornará um cessar-fogo de longo prazo”. Sem avanços nas negociações, os preços do petróleo registraram queda moderada na quinta-feira e subiam na manhã de sexta-feira. O barril de Brent, referência mundial, era negociado acima de 101 dólares.

Trump havia considerado na quarta-feira “muito possível” um acordo de paz com a República Islâmica ao mencionar “negociações muito boas nas últimas 24 horas”. Ao mesmo tempo, no entanto, ele voltou a mencionar a ameaça de retomar os bombardeios diante da situação em Ormuz.

Quase 1.500 navios e suas tripulações, com aproximadamente 20 mil membros no total, permanecem “bloqueados” no Golfo devido ao bloqueio do Irã em Ormuz, informou, no Panamá, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez. Trump lançou, na segunda-feira, uma operação naval para escoltar navios comerciais bloqueados e forçar a abertura do estreito, mas a interrompeu horas depois, alegando avanços nas negociações com o Irã.

Mas no Irã, muitos são céticos sobre os diálogos. “Nenhum lado nestas negociações é realmente capaz de alcançar um acordo”, declarou a jornalistas da AFP em Paris Shervin, um fotógrafo de 42 anos. “Este é outro dos jogos de Trump; se não, por que estão enviando tantos navios de guerra e forças militares para o Irã?”, acrescentou.

Impacto regional no Líbano

Qualquer acordo entre Estados Unidos e Irã também poderia ajudar a reduzir as tensões no Líbano, onde uma trégua separada está sob risco depois de um ataque israelense no sul de Beirute que matou um comandante do grupo pró-iraniano Hezbollah. Um funcionário do Departamento de Estado americano, que pediu anonimato, indicou que uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano acontecerá em 14 e 15 de maio.

O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio quando o Hezbollah, movimento apoiado por Teerã, lançou foguetes contra Israel em retaliação pela morte do guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, nos bombardeios israelense-americanos. Apesar de uma trégua que, em tese, permanece em vigor, o Ministério da Saúde libanês informou que pelo menos 12 pessoas morreram em uma série de ataques aéreos israelenses na quinta-feira.