Cerca de 300 migrantes aguardam no Ártico russo para atravessar a Finlândia, afirma Moscou

Cerca de 300 pessoas estão no Ártico russo, em um posto fronteiriço com a Finlândia, na esperança de atravessá-la, disse uma autoridade russa nesta quarta-feira (22), depois de Helsinque ter fechado a fronteira mais ao sul, acusando Moscou de orquestrar uma crise migratória.

“Cerca de 300 cidadãos de mais de dez Estados estrangeiros esperam há dias para cruzar a fronteira”, disse Andrei Chibis, governador da região russa de Murmansk, no Telegram.

“Os cidadãos estrangeiros não podem cruzar a fronteira por causa da parte finlandesa. Este país da Otan cria artificialmente um engarrafamento”, denunciou.

O governador especificou que estas pessoas se encontram na passagem de Salla, na zona norte da fronteira entre os dois países, onde as passagens fronteiriças não foram fechadas pela Finlândia.

A AFP não pôde confirmar as declarações do governador, que publicou na sua conta do Telegram fotos e um vídeo que ilustram, segundo ele, a situação.

Para Chibis, esta é uma “crise humanitária” e as autoridades russas prestam “apoio total” aos migrantes.

“Instalamos pontos de calefação onde estas pessoas podem se aquecer, comer e tomar chá quente”, afirmou.

A Finlândia, que aderiu à Otan em abril em resposta ao ataque russo contra a Ucrânia, acusa a Rússia de permitir que migrantes sem documentos cruzem a sua fronteira comum.

O país, que compartilha uma fronteira de 1.340 quilômetros com a Rússia, afirma que desde o final de agosto observa um fluxo de migrantes sem visto procedentes do Oriente Médio e da África, especialmente do Iraque, da Somália e do Iêmen.

No sábado, Helsinque fechou quatro passagens fronteiriças no sudeste da Finlândia com a Rússia até 18 de fevereiro de 2024, e outras quatro no norte do país.

A Comissão Europeia apoiou a decisão de Helsinque, denunciando uma “vergonhosa instrumentalização” dos migrantes por parte de Moscou, acusação que o Kremlin rejeitou na segunda-feira.

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