Centristas formam coalizão sem a ultradireita na Áustria

Cinco meses após a eleição, a Áustria deverá ter um governo composto pela centro-direita, a centro-esquerda e os liberais – e sem o partido de ultradireita que ficou à frente em eleição.O Partido Popular da Áustria (ÖVP), de centro-direita, os social-democratas (SPÖ), de centro-esquerda, e o partido liberal Neos concordaram nesta quarta-feira (26/02) em formar uma coalizão governamental, conforme informações divulgadas pelos respectivos líderes partidários.

Caso isso de fato se concretize, será a primeira vez desde a década de 40 que a Áustria seria governada por uma coalizão tripartite, que pode tomar posse na semana que vem.

As partes, no entanto, ainda precisam assinar o acordo. E, por isso, há uma certa preocupação principalmente em relação a membros do Neos, partido liberal que obteve 9% das intenções de voto na eleição de setembro de 2024.

A desconfiança parte do pressuposto de que nem todos os integrantes do Neos estariam de acordo com a proposta, que será ou não confirmada no domingo, quando dois terços dos legisladores do partido precisam confirmar a resolução.

Se confirmada, a nova coalizão excluirá o Partido da Liberdade (FPÖ), de ultradireita, que, com 28,8% dos votos, foi o mais votado nas últimas eleições. O FPÖ tentou formar um governo, mas as negociações fracassaram no início deste mês.

Ultradireita fala em "coalizão de perdedores"

O líder do FPÖ, Herbert Kickl, chamou a coalizão de "perdedores" e convocou uma nova eleição. Anti-imigração e pró-Rússia, o partido não conseguiu fazer um acordo de coalizão com os centro-direitistas do ÖVP.

Analistas políticos austríacos observam que a possível coalizão tripartite enfrentará uma série de desafios importantes, a exemplo de uma economia em dificuldades.

No outono europeu de 2024, os três partidos – ÖVP, SPÖ e Neos – já tentaram formar uma coalizão, mas não chegaram a um consenso.

As diferenças políticas representam um enorme obstáculo para a formação de um governo coeso. Um dos poucos desejos em comum entre os três é não ter Kickl como chanceler da Áustria, o que, segundo especialistas, não é algo que pode mantê-los unidos a longo prazo.

O maior problema, no entanto, é mesmo o orçamento, já que Viena está cada vez mais perto de entrar em conflito com as regulamentações da União Europeia sobre a execução de um déficit. Para isso, a nova coalizão anunciou, por exemplo, uma série de medidas que incluem novos impostos sobre os maiores bancos do país.