AOSTA, 27 SET (ANSA) – No dia em que milhares de jovens saíram às ruas em um protesto histórico pelo clima, centenas de pessoas se reuniram nesta sexta-feira (27) nos Alpes italianos para realizar as primeiras “vigílias funerárias” para as geleiras. Organizado pela ONG Legambiente, o primeiro dos sete velórios teve início no Gressoney-La-Trinité, no Maciço do Monte Rosa, que faz parte dos Alpes Peninos, no Vale de Aosta. Após duas horas de caminhada, os ativistas chegaram à geleira Lys, que “foi reduzida em pelo menos dois quilômetros em comparação ao início dos anos 1900”, segundo a chefe nacional da Legambiente, Vanda Bonardo.
“A geleira é um emblema do que está acontecendo. Além da perda de beleza que teremos, haverá problemas relacionados à instabilidade e aos recursos hídricos para beber, irrigação e uso hidrelétrico”, explicou.
De acordo com a ativista, “os aspectos mais científicos do derretimento das geleiras descritos por estudiosos e cientistas dizem respeito ao aumento da temperatura em sete graus até 2100 em algumas áreas”.
A cerimônia reuniu jovens e seus familiares do Vale de Aosta, do Piemonte e da Lombardia, além de romanos e ingleses. Hoje, dois outros funerais ocorreram na geleira Monviso, no Piemonte, e na de Montasio, na Friuli-Venezia Giulia.
Já amanhã será a vez das geleiras Stelvio (província de Bolzano) e Marmolada (Trento) e domingo das geleiras Brenta (Trento) e Montasio (Friuli-Venezia Giulia).
Entretanto, atos também serão realizados pelo glaciar Planpincieux, no Monte Bianco (Mont Blanc, em francês). A expectativa é de que, a partir das 10h (horário local) deste sábado, ocorra uma inspeção em Courmayeur feita pelo governador da região do Vale de Aosta, Antonio Fosson. Os “funerais” foram marcados depois que um radar instalado para monitorar a geleira Planpincieux confirmou que o bloco de gelo se desloca cerca de 30 centímetros por dia. O risco de colapso do glaciar suspenso de 2,4 quilômetros de extensão, indo de 3,6 mil a 2,3 mil metros de altitude, virou motivo de preocupação no país europeu. (ANSA)