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Centenas de mulheres marcham pelo direito ao aborto em El Salvador

Centenas de mulheres marcham pelo direito ao aborto em El Salvador

Uma mulher segura uma placa que diz “Meu corpo, minhas regras, meus direitos! Aborto legal agora! “durante uma marcha exigindo a descriminalização do aborto em San Salvador, em 28 de setembro de 2021. - AFP


Centenas de salvadorenhas apresentaram ao Congresso nesta terça-feira (28) uma proposta para legalizar o aborto em alguns casos, agora totalmente proibido e severamente punido no país, em um momento em que o presidente Nayib Bukele fechou a porta para essa possibilidade.

É um pedido de reforma do Código Penal para descriminalizar o aborto por três causas, explicou Morena Herrera, líder do Grupo Cidadão pela Descriminalização do Aborto Terapêutico, Ético e Eugênico (Acdatee), à AFP.

São elas, “a possibilidade de interromper a gravidez para salvar a vida e a saúde de mulheres e meninas”, também “quando for detectada uma malformação fetal incompatível com a vida extrauterina” e, finalmente, quando a gravidez “for resultado de violência sexual”.

Com lenços verdes em volta do pescoço e gritando slogans em favor de seus direitos, as mulheres se reuniram em um parque no setor sudoeste de San Salvador. A manifestação ocorre no Dia Global de Ação pelo Aborto Legal e Seguro.

Muitas carregavam pequenos cartazes com frases como “todos nós temos o direito de decidir sobre nossas vidas”, enquanto em um grande cobertor verde colocaram “decidir é meu direito, aborto legal agora”.

Em frente à sede do Legislativo, as mulheres levantaram seus lenços verdes e posteriormente uma delegação apresentou a proposta de reforma com o apoio de vários deputados, inclusive integrantes da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

O pedido acontece depois que Bukele retirou em meados de setembro uma proposta de reforma constitucional, elaborada por seu próprio governo, que abriu a porta para legalizar o aborto terapêutico.

A legislação salvadorenha proíbe o aborto em todos os casos e estabelece penas de até oito anos de prisão. Promotores e juízes classificam alguns casos de aborto, inclusive os involuntários, como “homicídio agravado”, passível de punição com até 50 anos de prisão.

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