Cemig vê redução da dívida líquida e da alavancagem como questão crítica

O presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Mauro Borges Lemos, abriu nesta terça-feira, 24, o XXI Encontro Anual – Apimec da companhia, destacando os desafios que a elétrica vem enfrentando. “O momento é de desafio grande e temos feito esforço tremendo para minimizar impactos sobre os nossos resultados”, disse. Dentre os principais pontos de “desafio, atenção e superação” citados pelo executivo está a recuperação da sustentabilidade econômico financeira e o valor de mercado da companhia. “A Cemig atingiu nível de alavancagem que chamou a nossa preocupação, é um ponto de grande relevância”, disse Lemos, acrescentando que a redução da dívida líquida e do nível de alavancagem é considerada uma questão “crítica” para empresa e a ser resolvida para médio prazo. O presidente da companhia também citou o esforço para um ajuste operacional e aumento de produtividade, destacando os trabalhos em seu segmento de distribuição. Por fim, Lemos salientou o trabalho de reavaliação do portfólio de ativos, para possível desinvestimento, que pode contemplar tanto participações minoritárias como ativos em que possui o controle acionário. “Estamos trabalhando duramente nessa perspectiva”, disse. Segundo Lemos, as negociações sobre a renovação da concessão da usina hidrelétrica de Jaguara estão em um “grau de maturidade avançado”. “Estamos aguardamos a melhor oportunidade para retomar negociações no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF)”, disse. Uma reunião de conciliação estava marcada para fevereiro, mas foi cancelada, após um pedido de adiamento da Cemig. A usina está com a concessão vencida desde agosto de 2013. A estatal mineira defende que uma cláusula de seu contrato lhe dá o direito à renovação automática, contrariando as regras da Medida Provisória 579, convertida na Lei 12.783, que versa sobre a renovação das concessões. Quando a MP foi editada, em 2012, o governo de Minas Gerais optou por não aderir às condições de renovação por considerar que tinha direito à renovação automática. A discussão sobre o futuro da usina Jaguara chegou ao STF após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder decisão desfavorável à Cemig, a partir da qual a estatal mineira teria que devolver o controle da hidrelétrica à União. Os executivos da Cemig salientaram que o destino de Jaguara deve ser replicado também nas usinas de São Simão e Miranda, que possuem em seus contratos de concessão a mesma cláusula que deu margem para a discussão jurídica no caso de Jaguara. Atualmente São Simão, cujo contrato já venceu, opera em regime de cotas, enquanto Miranda, ainda administrada diretamente pela companhia, tem contrato de concessão que se encerra neste ano.