Cemig divulga projeções para o período entre 2016 e 2020

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) divulgou nesta terça-feira, 24, suas projeções para o período entre 2016 e 2020, estimando que a companhia deve reportar um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) consolidado de R$ 3,235 bilhões e R$ 3,997 bilhões em 2016. O indicador sobe para o intervalo entre R$ 3,404 bilhões e R$ 4,205 bilhões em 2017, e segue em trajetória positiva até o patamar de R$ 4,357 bilhões a R$ 5,382 bilhões em 2020. Para a Cemig Distribuição, a companhia estima um Ebitda de R$ 1,173 bilhão a R$ 1,448 bilhão para este ano e R$ 1,277 bilhão a R$ 1,578 bilhão no ano que vem. O número considera um reajuste menor que a inflação e uma revisão tarifária que incorpora valor à chamada Parcela B (custos gerenciáveis), o que possibilita uma recuperação da margem da distribuidora, destacou a estatal mineira em apresentação. Já no caso da Cemig Geração e Transmissão (GT), a projeção é de um Ebitda de R$ 1,333 bilhão a R$ 1,646 bilhão em 2016 e de R$ 1,568 bilhão a R$ 1,937 bilhão. O número considera as usinas em litígio Jaguara e São Simão até junho de 2016, e Miranda até o final deste ano. Além disso, não inclui o recebimento de indenização de usinas de geração com as concessões vencidas, mas conta com a correção da indenização dos ativos de transmissão, conforme as regras já estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia. Conforme explicou o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Cemig, Fabiano Maia Pereira, a diferença entre a somatória dos Ebitdas dos dois principais negócios da estatal e o Ebitda consolidado da companhia se refere à divisão de gás da companhia, a Gasmig, e ainda à equivalência patrimonial. “Se as participações responderem como esperado, vão possibilitar um ganho”, disse o executivo durante encontro Apimec, ao ser questionado por um analista sobre a viabilidade de a companhia obter tal ganho com equivalência patrimonial depois de registrar perdas nos primeiros três meses do ano. No primeiro trimestre deste ano, a linha registrou um prejuízo líquido de R$ 57,9 milhões, decorrente principalmente do prejuízo de R$ 151,568 milhões verificado na participação na Renova Energia em função, basicamente, de perda em investimento na Terraform e baixa parcial de opção de venda com a SunEdison. Para os anos sucessivos, a previsão da Cemig é de Equivalências Patrimoniais crescentes tendo em vista a expectativa de que algumas participações começarão a gerar resultado, com a entrada em operação de alguns ativos. A Cemig vem enfrentando dificuldades em algumas de suas participações e já sinalizou que pretende se desfazer de alguns ativos, incluindo fatias societárias minoritárias ou de controle. No entanto, Pereira salientou que o guidance é “inercial” e não considera mudanças no portfólio. O diretor também destacou que, entre as premissas, a companhia atualizou seu custo de capital “considerando o cenário macroeconômico adverso”, e que os números contemplam a implementação de iniciativas de aumento da produtividade, como a implementação do programa de desligamento voluntário (PDVP) e de uma gestão estratégica de suprimentos. De fato, na distribuição, a companhia prevê uma redução da ordem de 21% no custo de manutenção (Opex) por número de clientes, entre 2014 e 2020. O movimento de melhora da produtividade já foi observado em 2015, quando esse custo foi de R$ 334/cliente, ante os R$ 366/cliente do ano anterior, mas deve passar por novos recuos significativos até 2017. No cenário de projeção de cinco anos, a Cemig projetou um crescimento médio anual de 2,6% entre 2017 e 2020 na distribuição. Para este ano, o fornecimento deve ficar praticamente estável, em 0,1%. Já na geração, a expectativa é de um crescimento médio de mercado de 1,7% ao ano entre 2017 e 2020. Os cálculos da Cemig consideram, ainda, uma projeção de preço de energia, na geração, de R$ 192/MWh deste ano, recuando para R$ 187/MWh (a valores presentes), no ano que vem e chegando a R$ 177/MWh em 2020. Já no que diz respeito ao risco hidrológico (GSF), a companhia prevê um déficit de 0,4% neste ano (GSF de 0,96), caindo para 2% no ano que vem.