CEDEAO realiza cúpula para tentar resolver crise no Mali

CEDEAO realiza cúpula para tentar resolver crise no Mali

Os 15 chefes de Estado da Comunidade Econômica da África Ocidental (CEDEAO) realizaram, nesta segunda-feira (27), uma cúpula virtual sobre a crise política que abala o Mali, com protestos contra o presidente Ibrahim Bubacar Keita.

“A cúpula terminou”, disse uma fonte próxima à CEDEAO à AFP no início da tarde. As conclusões devem ser anunciadas hoje.

Os presidentes ouviram o relatório de seu colega nigeriano, Mahamadu Issufu, que liderou uma missão de mediação na semana passada em Bamako, ao lado de líderes da Costa do Marfim, Senegal, Gana e Nigéria.

Após um dia de discussões na capital do Mali, os cinco presidentes da África Ocidental não conseguiram convencer a oposição, liderada pelo influente imã Mahmud Dicko, a aprovar seu plano para acabar com a crise.

Os vizinhos e parceiros do Mali temem que o país, já bastante enfraquecido pela violência, particularmente jihadista, mergulhe no caos.

“No final desta cúpula, acredito que a CEDEAO tomará medidas firmes para acompanhar o Mali”, afirmou Issufu na quinta-feira passada.

Em 10 de julho, a terceira grande manifestação da oposição terminou em três dias de tumultos, que deixaram 11 mortes, segundo o primeiro-ministro Bubu Cissé, embora a Missão da ONU no país (MINUSMA) tenha registrado 14 mortes.

A CEDEAO propôs em 19 de julho a formação de um governo de unidade nacional e um novo Tribunal Constitucional “de consenso” para resolver a disputa sobre os resultados das eleições legislativas de março-abril, consideradas o gatilho da crise atual.

A esse clima de exasperação, alimentado há anos pela instabilidade no centro e no norte do país, pela crise econômica e a corrupção endêmicas, foi adicionada a anulação pelo Tribunal Constitucional de cerca de trinta candidaturas.

O movimento M5-RFP, uma coalizão heterogênea integrada por clérigos, opositores políticos e membros da sociedade civil, anunciou em 21 de julho uma “trégua” até o final da grande festa muçulmana do Eid al-Adha, em 31 de julho, especialmente para dar tempo aos esforços diplomáticos.

Mas os jovens do movimento, que lideram os protestos contra o presidente Keita, eleito em 2013 e reeleito em 2018, voltaram a pedir no domingo a renúncia do chefe de Estado e anunciaram a retomada dos protestos a partir de 3 de agosto.

“Após a trégua, nossas ações serão retomadas de maneira harmoniosa e sem violência”, disse à AFP Abdurahman Diallo, líder do movimento.

“Também decidimos retomar a desobediência civil em 3 de agosto”, disse outra jovem opositora, Mariama Keita.

O imã Dicko, figura central dos protestos, que algumas fontes próximas às discussões consideram disposto a demonstrar flexibilidade, reduziu as esperanças de uma saída rápida da crise depois de se reunir na semana passada com a delegação de cinco chefes de Estado.

A oposição considera a CEDEAO uma espécie de “clube de chefes de Estado”.

“Nada mudou no momento”, disse Dicko na quinta-feira. “Prefiro morrer como mártir do que morrer como traidor. Os jovens que perderam a vida (durante os protestos) não a perderam por nada”, acrescentou.