O lendário cavalo italiano Varenne, conhecido como “Il Capitano” e considerado por muitos como o maior trotador da história do turfe, morre aos 31 anos de idade. O animal sofreu uma parada cardíaca na madrugada desta terça-feira (18) em um haras em Eboli, no sul da Itália. Sua morte representa uma perda imensa para o mundo equestre.
- O cavalo Varenne morre aos 31 anos na Itália, vítima de uma parada cardíaca, causando comoção no mundo do turfe.
- Apelidado de “Il Capitano”, Varenne era tido como o maior trotador da história, acumulando títulos e recordes.
- Com uma carreira repleta de vitórias, o animal ganhou 62 das 73 corridas que disputou, somando 6,3 milhões em prêmios.
“Estamos devastados. O cavalo parecia estar se recuperando de um pequeno problema de saúde nos últimos dias, mas, na noite passada, sofreu um ataque cardíaco que o levou para sempre. É uma perda imensa”, disse Dario De Angelis, um dos proprietários do haras, ao site especializado Grande Ippica Italiana.
Varenne deixou as pistas em 2002, após uma carreira brilhante nas corridas de arreios (ou corridas de trote), e atuava desde então como garanhão reprodutor. Ele gerou ganhos estimados em cerca de 5 milhões de euros para seus proprietários.
Nascido em Ferrara, em 19 de maio de 1995, filho de Waikiki Beach e Jalmaz, o trotador recebeu o nome da rua de Paris onde fica a embaixada italiana na França.
Ao longo de sua trajetória esportiva, Varenne venceu 62 das 73 corridas que disputou. Ele acumulou 6,3 milhões em prêmios na modalidade em que o cavalo puxa uma pequena charrete com o condutor, com uma andadura em que as patas são coordenadas em diagonal (movendo a dianteira esquerda junto com a traseira direita, e vice-versa).
Em sua última temporada competitiva, Varenne teve um desempenho quase perfeito. Ele venceu 13 de 14 corridas e quebrou recordes de pista em seis delas, solidificando ainda mais sua reputação de imbatível.
Uma lenda do turfe mundial
O apelido “Il Capitano” surgiu por causa de seu estilo dominante e imponente nas pistas. Em 1998, foi adquirido pelo empresário napolitano Enzo Giordano por 92 mil euros. Dois anos depois, após se tornar fenômeno de bilheteria e prêmios, a empresa italiana de apostas Snai pagou quase 20 vezes esse valor por uma participação de 50% no cavalo.
Varenne conquistou duas vezes o prestigiado Prix d”Amérique, na França, e por três anos consecutivos o Gran Premio Lotteria, principal prova da Itália. Em 2001, ele venceu a Breeder”s Crown, nos Estados Unidos, considerada a corrida de trote mais rica do mundo. Essa foi a primeira vitória de um cavalo italiano na competição em 24 anos.
A popularidade de Varenne também transcendeu o turfe, alcançando o imaginário popular italiano. Em um episódio que ficou famoso na Itália, um morador de uma cidade nos arredores de Nápoles batizou o filho recém-nascido com o nome do cavalo e se recusou a voltar atrás, mesmo diante de ameaças de processo da esposa.
Qual o legado de Varenne para o turfe?
“Hoje nos deixa Varenne, o filho do vento, provavelmente o melhor cavalo que já pisou em uma pista de trote no mundo”, disse nas redes sociais o ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida. “Ele era um cavalo extraordinário, mas o mito permanece”, acrescentou.
(ANSA)