Comportamento

Cate Blanchett pede solução para problema dos apátridas

Cate Blanchett pede solução para problema dos apátridas

Cate Blanchett em 7 de outubro de 2019 em Genebra - AFP

A estrela de Hollywood Cate Blanchett pediu nesta segunda-feira (7) que acabe com o limbo em que milhões de apátridas se encontram em todo mundo, em uma “invisibilidade total”.

“É hora de agir”, disse a repórteres em Genebra a atriz australiana, vencedora do Oscar.

Cate também é embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

“O mundo pode acabar” com essa situação, afirmou.

Blanchett fez esses comentários no meio da campanha de dez anos lançada por esta agência da ONU para acabar com esse sofrimento de milhões de pessoas no mundo todo privadas de nacionalidade.

Os apátridas são marginalizados política e economicamente e são especialmente vulneráveis a abusos e exploração. Com frequência, não têm acesso à educação, nem à assistência médica, nem podem se casar, ou mesmo obter um atestado de óbito.

“É uma invisibilidade total”, apontou Blanchett, que lamentou que essas pessoas “experimentem marginalização e exclusão do berço ao túmulo”.

Da mesma forma – denunciou a atriz -, os pais apátridas costumam transmitir esse “presente [status apátrida] horrível e desesperado” aos filhos, uma “situação desumana e devastadora que parte seu coração”.

Ela enfatizou que “é um problema criado pelo homem e tem uma solução”, pedindo aos países que “definam cidadania para que os Estados tenham o poder de remover obstáculos à cidadania” que os apátridas enfrentam.

Em 2014, o Acnur estimou que havia cerca de 10 milhões de apátridas no mundo inteiro. Esta semana, o alto comissário Filippo Grandi disse à imprensa que não se sabe exatamente quantos existem, pois muitas destas pessoas são “bastante invisíveis”.

Nos últimos cinco anos, cerca de 220.000 apátridas adquiriram uma nacionalidade, graças aos esforços combinados de vários países. Grandi advertiu, porém, que se está “longe de garantir avanços”.

“Formas prejudiciais de nacionalismo e de manipulação de sentimentos antirrefugiados e anti-imigrantes: essas são as tendências poderosas que colocam em risco o progresso internacional”, completou ele, em uma nota.