Catar alerta que danos em instalação de gás pode reduzir exportações em 17%

ROMA, 20 MAR (ANSA) – O governo do Catar anunciou nesta sexta-feira (20) que os recentes ataques iranianos à instalação de Ras Laffan devem reduzir a capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do país em 17% ao longo dos próximos cinco anos, resultando em uma perda estimada de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) em receita anual.   

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (20), em reportagem da BBC, poucos dias após mísseis iranianos atingirem a cidade industrial de Ras Laffan, causando “danos extensos” ao principal centro de energia do Catar.   

O GNL é produzido por meio do resfriamento do gás natural a temperaturas extremamente baixas em uma grande unidade de processo industrial chamada “trem”, segundo a emissora britânica.   

De acordo com autoridades catarianas, dois dos 14 “trens” da planta foram danificados nos ataques.   

“Cinco anos não são suficientes para reparos”, alertou Ciaran Roe, diretor comercial da HySights, empresa de inteligência de mercado de combustíveis limpos com sede em Singapura. “Esta será uma reconstrução completa”.   

Os principais compradores do GNL do Catar estão na Ásia, especialmente Japão, Coreia do Sul, Índia e China. Na Europa, países como Itália e Bélgica já são grandes clientes, e o continente como um todo está se tornando cada vez mais dependente do gás do Oriente Médio, após reduzir drasticamente as importações russas devido à guerra na Ucrânia.   

Roe destacou que “o temor pode persistir no mercado por vários meses, senão anos”, o que poderá alterar a forma como governos planejam suas importações de GNL no futuro.   

Operada pela empresa estatal QatarEnergy, a instalação de Ras Laffan é reconhecida como um dos principais polos de GNL do mundo, concentrando infraestrutura de processamento, transporte e porto. Assim, o Catar responde por aproximadamente 20% do suprimento global de GNL, sendo o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos. (ANSA).