O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, decidiu deixar o cargo nesta segunda-feira, 23, na véspera da retomada, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do julgamento que pode torná-lo inelegível por oito anos. A despedida será organizada no Palácio Guanabara, sede do governo estadual, com cerimônia prevista para o fim da tarde. Convites começaram a ser enviados a aliados políticos no domingo, 22.
Castro é alvo de ação que apura abuso de poder político e econômico durante a campanha de reeleição, com foco na contratação de funcionários por meio da Fundação Ceperj. O caso também envolveu o então vice, Thiago Pampolha, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Sem vice-governador, o comando do estado passa interinamente ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. Pela legislação, caberá a ele convocar eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para escolha de um governador tampão até a posse do eleito em outubro.
Nos bastidores, a avaliação é que a renúncia busca esvaziar o alcance do julgamento no TSE e preservar a possibilidade de Castro disputar uma vaga no Senado.
Antes de deixar o cargo, o governador promoveu uma ampla reforma no secretariado, com a exoneração de 11 titulares de pastas. As mudanças atingiram áreas estratégicas, como Polícia Civil, Infraestrutura, Cidades e Turismo, e foram justificadas como parte do calendário eleitoral.
A movimentação ocorre em meio à reorganização política no estado e reforça o cenário de transição às vésperas das eleições, com impacto direto na disputa local e na composição das chapas para 2026.