Cláudio Castro falta à CPI do Crime Organizado e alega ‘dores na lombar’

Ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) apresenta atestado médico e não comparece à comissão no Senado

Claúdio Castro
Claúdio Castro Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), informou que não comparecerá à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal.

Ele era aguardado para depor nesta terça-feira, 14 de maio, em Brasília, mas justificou sua ausência alegando “dores intensas na região lombar” e a necessidade de suspender atividades presenciais.

O que aconteceu

  • Cláudio Castro (PL), ex-governador do RJ, alegou problemas de saúde para não comparecer à CPI do Crime Organizado nesta terça-feira, 14 de maio, em Brasília.
  • Sua convocação pela CPI foi possível após a renúncia ao cargo em março, um dia antes de ser condenado e tornar-se inelegível até 2030 pelo TSE.
  • O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), enfatiza a importância do depoimento de Castro para investigar o crime organizado no Rio de Janeiro.

Em nota publicada pelo G1, a assessoria do ex-governador detalhou o motivo da ausência.

“O ex-governador Cláudio Castro foi diagnosticado, na manhã desta segunda-feira, com um quadro de lombalgia aguda, apresentando dores intensas na região lombar, o que motivou orientação médica expressa para suspender viagens e atividades presenciais neste momento. Por esse motivo, ele não poderá comparecer à oitiva da CPI do Crime Organizado, prevista para terça-feira, em Brasília”, diz o comunicado.

Por que Cláudio Castro foi convocado?

A convocação de Castro foi aprovada pela CPI em 31 de maio.

Embora haja um entendimento consolidado no Supremo Tribunal Federal (STF) de que governadores não podem ser convocados para depor em CPIs, o cenário mudou com a renúncia de Castro ao cargo em 23 de março.

Essa decisão possibilitou que os parlamentares aprovassem sua oitiva e a do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

A renúncia de Cláudio Castro ocorreu um dia antes do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o condenou e o tornou inelegível até 2030.

De acordo com a acusação, órgãos estaduais como a Ceperj e a Uerj teriam sido utilizados para criar mais de 27 mil cargos comissionados irregulares.

A finalidade seria beneficiar aliados políticos e impulsionar a campanha de reeleição do ex-governador em 2022.

Para o relator da CPI e autor do requerimento, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o depoimento de Castro proporcionaria “um panorama macro estratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado”.

“Historicamente, o Rio de Janeiro tem sido o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”, destaca Vieira no requerimento.

Ele complementa que “diante da magnitude e da sofisticação dessas estruturas, o enfrentamento do crime organizado transcende a mera atuação repressiva nas ruas, exigindo uma compreensão sistêmica de como essas máfias lavam seus ativos ilícitos e de como conseguem se infiltrar nos Poderes Constituídos”.

Histórico de ausências e o fim da CPI

Esta não é a primeira vez que Cláudio Castro falta às reuniões da comissão. A CPI já havia agendado três oitivas com o ex-governador do Rio entre fevereiro e março.

Ele faltou a todas as tentativas, justificando incompatibilidade de agenda.  O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar o prazo da comissão, o que significa que o depoimento de Castro pode não ocorrer antes do encerramento dos trabalhos.