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Castillo se considera vencedor ao ampliar vantagem na apuração de votos no Peru

Castillo se considera vencedor ao ampliar vantagem na apuração de votos no Peru

O candidato Pedro Castillo acena para simpatizantes na sede de seu partido em Lima, em 8 de junho e 2021 - AFP


O candidato de esquerda Pedro Castillo se apresenta como o vencedor do acirrado segundo turno presidencial de domingo passado no Peru, onde a apuração a conta-gotas não aponta um postulante oficialmente eleito: o professor da área rural lidera com 50,20% dos votos, contra 49,7% da candidata de direita Keiko Fujimori.

Em uma mensagem para simpatizantes na sede do partido Peru Libre, no centro de Lima, Castillo disse que seus observadores consideram certa a vitória no segundo turno. Ele pediu a seus seguidores que não caiam em provocações e inclusive agradeceu as felicitações por sua “vitória” enviadas por países da América Latina.

“Seremos um governo respeitoso da democracia, da atual Constituição e faremos um governo com estabilidade financeira e econômica”, disse Castillo na terça-feira à noite.

“Quero expressar em nome do povo peruano às personalidades de diversos países que esta tarde expressaram saudações ao povo peruano”, acrescentou, em referência a mensagens de “embaixadas e governos da América Latina e de outros países”.

Castillo tem 50,20% dos votos, contra 49,79% da rival, após a apuração de 98,3% das urnas, mas a disputa permanece aberta, segundo fontes do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

Como nas três últimas eleições presidenciais no Peru, quase tão acirradas como a atual, a apuração oficial demora por conta dos votos das zonas rurais, das áreas de selva e do exterior, onde estão registrados um milhão de eleitores.

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No exterior, Fujimori tem até o momento 66,48% dos votos, contra 33,51% do candidato de esquerda, com 89,47% destas cédulas apuradas.

“Mas reverter a diferença será muito difícil, devem faltar mais votos por contar do Peru que do exterior”, declarou à AFP o analista Hugo Otero.

Ele se refere ao fato de que o ONPE ainda precisa contabilizar pouco menos de 2% das urnas do Peru, a maioria de zonas remotas que podem representar mais votos para Castillo que aqueles que ainda faltam do exterior.

“Acredito que Castillo vai ganhar, mas temos que esperar até que o ONPE anuncie o resultado oficial”, disse Otero.

– “Mentiras, mentiras” –

Pouco depois do fim da votação no domingo, a filha do detido ex-presidente Alberto Fujimori liderava a apuração, mas com o avanço da contagem dos votos Castillo se aproximou e virou o resultado: na terça-feira à noite a vantagem era de mais de 100.000 votos.

Fujimori denunciou na segunda-feira “indícios de fraude”.

O ONPE nega a possibilidade de fraudes, assim como a Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que classificou o processo de normal e transparente.

“Mentiras, mentiras, mais do mesmo: O Fujimorismo”, afirma o título de um comunicado divulgado pelo partido de Castillo, no qual destaca que “não é um segredo a antiga prática do fujimorismo sobre fraudes eleitorais”.

Entre outras coisas, o partido de Castillo recorda “a vingança da senhora Keiko Fujimori por não aceitar os resultados do ano de 2016”, quando perdeu a votação para Pedro Pablo Kuczynski por uma margem estreita (50,12% contra 49,88%). Após a impugnação da época das atas, o ONPE demorou sete dias para declarar seu rival oficialmente presidente do Peru.

Enquanto os partidários de Castillo começam a cantar vitória, quase 200 seguidores de Fujimori, em sua maioria das classes média e alta de Lima, se reuniram na terça-feira diante da sede do ONPE para denunciar “fraude”.

A incerteza aumenta em um país abalado por crises políticas que resultaram em quatro presidentes desde 2018, três deles em apenas cinco dias em novembro do ano passado.

– Votos decisivos –

De acordo com o departamento do ONPE para o exterior, três países concentram quase 60% dos eleitores peruanos: Estados Unidos, Chile e Espanha.

Como 64% das urnas dos Estados Unidos e 81% das urnas do Chile já foram contabilizadas, o destino de Fujimori depende em boa parte da Espanha, onde 152.000 peruanos estavam registrados para votar – apenas 3% destas cédulas foram apuradas.

Três em cada quatro peruanos apoiaram Fujimori nos Estados Unidos. No Chile ela recebeu 56% dos votos, contra 44% de Castillo.

As eleições deixaram evidente que o país não tem apenas uma disputa política, mas também entre Lima e o interior do país, relegado por séculos e muito afetado pela recessão econômica provocada pela pandemia.

Na região andina de Cusco, a antiga capital do império inca, Castillo recebeu 83% dos votos, e em Puno, às margens do lago Titicaca, 89%. Nestas áreas predominam as populações quechua e aymara, respectivamente.

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