Cultura

Cassius Clay surpreende o mundo do boxe

O jovem repórter Robert Lipsyte, do New York Times, foi destacado para ir ao Miami Beach Convention Hall, em 25 de fevereiro de 1964, para cobrir a luta entre o campeão dos pesos-pesados, Sonny Liston, e o desafiante Cassius Marcellus Clay. Logo que chegou a Miami, o jornalista recebeu um telefonema de seu editor, que o aconselhou a decorar o trajeto do ginásio até o hospital mais próximo, pois a vitória de Liston deveria ser rápida e massacrante. A bolsa de apostas confirmava a previsão: o campeão era o favorito na proporção de 7 por 1.

A imprensa especializada apontava para uma vitória fácil do campeão, assim como havia ocorrido nas duas lutas anteriores com Floyd Patterson. Dois nocautes no primeiro assalto. A dúvida era saber apenas o tempo da queda de Clay, que só era bom para preencher um bloco de notas em 15 minutos por causa de sua forma de falar sem limites e que só poderia derrotar Liston em uma leitura de dicionário.

O médico Ferdie Pacheco, que esteve ao lado de Clay em suas lutas com Joe Frazier e George Foreman, admitiu que nunca havia visto Clay tão nervoso para uma luta. Para combater a ansiedade, o falastrão lutador de Louisville resolveu tentar mexer com os brios do adversário.

Clay chegou a fazer um poema para o “urso feio” e foi até o aeroporto esperar seu adversário para xingá-lo de idiota, bobo e prever um nocaute no oitavo assalto. Os jornalistas consideravam apenas bravatas, mas apreciavam Clay por ser bonito, inteligente e capaz de fornecer uma bela matéria todos os dias.

Na pesagem, Ali desafiou tanto Liston que a Comissão Atlética da Flórida chegou a cogitar que o desafiante estaria sofrendo um surto psicótico. Sua pressão foi a 20 por 10 e os batimentos cardíacos atingiram 120 por minuto. A certeza do público na vitória de Liston, a tempestade que caiu em Miami naquele dia e a ameaça de atentado ao ativista Malcolm X, amigo de Ali e presente ao Miami Beach Convention Hall, fizeram com que pouco mais de 10% dos 15 mil ingressos fossem vendidos. Liston tinha bolsa de US$ 1,3 milhão, enquanto Clay ficaria com US$ 630 mil.

Desde o início, Clay surpreendeu todos ao “bailar como uma borboleta e picar como uma abelha”, característica que iria marcar sua brilhante carreira. “Acho que tivemos uns dos melhores rounds iniciais da história”, disse Joe Louis, sentado nas primeiras fileiras e comentando para a transmissão em circuito fechado.

Desnorteado, Liston teria usado, com a ajuda de seus técnicos, um produto em suas luvas que prejudicou a visão de Clay do terceiro ao quinto assalto. Recuperado, o desafiante aplicou uma verdadeira surra no campeão, que desistiu de voltar para o sétimo assalto. Clay dançou, pulou, gritou. “Choquei o mundo. Sou o melhor de todos”, afirmou, ainda em cima do ringue. Dois dias depois, Clay anunciou sua conversão ao islamismo e a adoção do nome Muhammad Ali. Lutou até 1981 e, mesmo diagnosticado com a doença de Parkinson, seguiu como ativista das causas contra o racismo e pela igualdade social até sua morte em 2016, aos 74 anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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