Roberta, uma mulher trans, acusa a atriz Cassia Kis, 68, de tentar impedir que ela utilizasse o banheiro feminino do BarraShopping, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro. Procurada pela reportagem por telefone, mensagens e e-mail, a artista não se pronunciou sobre o caso.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Roberta, que afirma trabalhar no shopping, relata ter sido alvo de transfobia. Nas imagens, Cassia Kis aparece lavando as mãos após o desentendimento. “Estou sofrendo transfobia aqui no shopping. Essa atriz está dizendo que eu não posso entrar, mas eu tenho documento feminino”, declara Roberta, citando o nome da atriz. Em seguida, a artista responde: “Eu não uso banheiro dos homens”.
De acordo com um relato publicado pela própria Roberta, a situação aconteceu na sexta-feira, 24 de abril. Ela conta que aguardava na fila de um dos banheiros quando foi abordada e passou a ouvir comentários questionando sua presença no local por parte da intérprete de Cidália em Travessia. A mulher afirma ter ficado constrangida e informou que pretende tomar medidas judiciais.
“Fui vítima de transfobia. A autora desse crime de ódio foi a atriz Cassia Kis. Assim que entrei no banheiro, ela estava atrás de mim esperando na fila e começou os ataques. Entrei em uma cabine e, quando saí, ela continuava falando coisas horríveis e questionando minha presença ali”, relatou Roberta.
Ela também afirmou ter ouvido frases de que “o Brasil estava perdido” porque havia “homem” no banheiro e que não existia nenhuma placa autorizando sua entrada. Segundo Roberta, a situação foi humilhante e a deixou profundamente abalada.
Em 2022, Cassia Kis já havia se envolvido em polêmica durante entrevista à jornalista Leda Nagle. Na ocasião, declarou que casais homoafetivos “não dão filho” e associou determinadas condutas à destruição da família e da vida humana. Após as falas, o Grupo Arco-Íris acionou a atriz na Justiça por homofobia.
Em novembro de 2025, a Justiça do Rio arquivou, sem análise do mérito, uma das três ações relacionadas ao caso. Apesar disso, a atriz ainda responde a outros processos. Em outubro do ano anterior, a Justiça Federal aceitou denúncia por preconceito contra pessoas trans.
O processo tramita na 2ª Vara Federal do Rio de Janeiro e pode resultar em multa de até R$ 1 milhão. A ação foi movida pela Antra, Articulação Nacional dos Transgêneros, e pelo ator José de Abreu.
Além disso, o Grupo Arco-Íris também move uma ação cível contra a atriz, pedindo indenização coletiva de R$ 250 mil, valor que seria destinado a iniciativas de combate à LGBTfobia no setor cultural.