A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitou formalmente a cassação do alvará de funcionamento de uma hamburgueria em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A medida ocorre após a divulgação de mensagens em que o estabelecimento oferece um salário maior para uma candidata de 17 anos, caso ela aceitasse trabalhar com “decote” e roupas que marquem o corpo.
O caso ganhou repercussão após prints da conversa entre o recrutador e a adolescente serem compartilhados nas redes sociais. No diálogo, o representante do local apresenta duas modalidades de pagamento: uma de R$ 1.300 e outra de R$ 1.700. A segunda opção seria destinada à mulher que aceitasse usar “uma calça legging mais marcando”, justificando que isso “atrai muito o público”.
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A parlamentar fundamentou o pedido de cassação com base na Lei Municipal nº 15.129/25, sancionada pelo atual prefeito Ricardo Silva (PSD). O dispositivo prevê a perda da licença de funcionamento para estabelecimentos que infringirem os “bons costumes” de forma gravíssima.
Por meio de suas redes sociais, no domingo, 12, Erika Hilton classificou o episódio como uma tentativa de exploração comercial do corpo feminino e de uma menor de idade. “A infração é notável e objetiva, e os bons costumes que queremos preservar são concretos”, afirmou a deputada.
É inaceitável que uma hamburgueria de Ribeirão Preto tenha proposto à uma menina de 17 anos que ela se vista de forma “provocativa” para ser contratada e que seu proprietário tenha solicitado fotos à garota.
Por isso, estou requerendo a CASSAÇÃO do alvará desse estabelecimento… pic.twitter.com/xlvCCOIBIh
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) April 13, 2026
Investigação contra hamburgueria
Além da movimentação na esfera municipal, o caso já é alvo de investigação pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O órgão apura possíveis violações às normas de proteção ao trabalho da criança e do adolescente, bem como condutas que caracterizam assédio e discriminação de gênero no ambiente laboral.
Até o momento, a prefeitura de Ribeirão Preto não se manifestou oficialmente sobre o pedido de cassação do alvará. O proprietário do estabelecimento, cujo nome não foi divulgado, também não apresentou defesa pública sobre o teor das mensagens enviadas à jovem.