Caso Master escancara divisão no STF e tensão entre ministros

Julgamento de Henrique Vorcaro expõe "guerra fria" e polarização na Segunda Turma do Supremo

André Mendonça, ministro do STF
O ministro André Mendonça Foto: Gustavo Moreno/STF

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nesta terça-feira (16). A decisão, que ultrapassou a análise de medidas cautelares, é interpretada nos bastidores da Corte como um retrato do tenso momento das investigações envolvendo o Caso Master. Ministros e interlocutores do Supremo ouvidos pela IstoÉ apontam que o julgamento expôs o posicionamento de cada integrante e o ambiente de tensão nas apurações.

O que aconteceu

  • O Caso Master no STF revelou polarização entre ministros após a decisão sobre a prisão de Henrique Vorcaro.
  • O ministro André Mendonça, relator, afirmou que as investigações seguem em andamento e monitora movimentações para enfraquecer o processo.
  • O julgamento evidenciou a “guerra fria” no tribunal, com a divergência do ministro Gilmar Mendes e o voto de Kassio Nunes Marques.

Relator do caso, o ministro André Mendonça utilizou seu voto para transmitir, na avaliação de integrantes da Corte, três mensagens principais: que as investigações seguem em andamento e estão longe de serem concluídas; que acompanha de perto movimentações que buscariam enfraquecer ou interromper o trabalho investigativo; e que a tendência é de aumento da tensão na Segunda Turma conforme novos desdobramentos do caso forem submetidos ao colegiado.

A “guerra fria” no supremo e o posicionamento dos ministros

Nos bastidores do STF, a percepção é de que existe uma espécie de “guerra fria” em torno do Caso Master. Com o avanço das investigações, as posições dos ministros teriam se tornado mais definidas e os movimentos internos mais evidentes.

Nesse cenário, o ministro Kassio Nunes Marques passou a ser visto como uma peça central do julgamento. Havia expectativa sobre qual seria seu posicionamento, diante da pressão exercida por diferentes grupos interessados no resultado da votação. De acordo com relatos obtidos pela IstoÉ, houve intensa movimentação nos bastidores para tentar antecipar de que lado penderia seu voto.

Assim como havia ocorrido no julgamento que manteve a prisão de Daniel Vorcaro, Nunes Marques acompanhou o voto do relator e defendeu a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro. Interlocutores da Corte avaliam que a decisão foi influenciada pelos elementos reunidos ao longo da investigação e pela gravidade dos fatos atribuídos ao investigado.

Divergências expõem polarização no caso Master?

O julgamento também evidenciou a divergência apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. Em seu voto, ele questionou a necessidade da continuidade da prisão preventiva de Henrique Vorcaro, argumentando que integrantes da administração direta do Banco Master já haviam sido colocados em liberdade, situação que, em sua avaliação, comprometeria o princípio da isonomia.

Gilmar Mendes também levantou a hipótese de que a prisão do pai de Daniel Vorcaro pudesse representar uma forma de pressionar o ex-banqueiro a firmar um acordo de colaboração premiada, estabelecendo um paralelo com práticas adotadas durante a Operação Lava Jato.

Ao responder aos argumentos, André Mendonça afirmou que Henrique Vorcaro não foi preso por sua relação de parentesco com Daniel Vorcaro, mas por indícios de que continuaria praticando crimes, conforme apontariam mensagens recentes reunidas na investigação.

A Segunda Turma não contou com a participação de todos os seus integrantes no julgamento. Embora faça parte do colegiado, o ministro Dias Toffoli não participou da sessão que analisou o caso.

Para integrantes do Supremo ouvidos pela IstoÉ, o resultado da sessão realizada nesta terça-feira (16) representa mais do que uma decisão sobre a situação jurídica de Henrique Vorcaro. A avaliação é de que o julgamento revelou, de forma mais explícita, o posicionamento dos ministros diante do Caso Master, evidenciando um ambiente de maior polarização interna e indicando que a disputa em torno das investigações está longe de chegar ao fim.