Comportamento

Casas de repouso dizimadas na Europa pelo novo coronavírus

Casas de repouso dizimadas na Europa pelo novo coronavírus

Soldados espanhóis da Unidade Militar de Emergências (UME) diante de uma casa de repouso em Madri em 23 de março de 2020 - AFP

Espanha e Itália, os países mais afetados, mas também a França, registram um aumento do número de casas de repouso dizimadas pelo novo coronavírus, em uma Europa com população envelhecida que virou o epicentro da pandemia.

“Quando o vírus entra nestes locais, inevitavelmente acontece um massacre, como infelizmente está ocorrendo em diferentes partes da Itália”, advertiu no fim de semana o Spi-CGIL, departamento de pensionistas do principal sindicato italiano.

Quinze mortes foram registradas em um estabelecimento em Gandino, perto de Bérgamo, em uma das zonas mais afetadas na Itália, anunciou o secretário de Saúde da região, Fulvio Menghini.

“As residências de idosos são verdadeiras bombas-relógio, abrigando 500.000 pessoas idosas em condições frágeis, com o risco de infecção”, destacou o Spi-CGIL. A Itália possui a população mais envelhecida do planeta, atrás apenas do Japão.

O que poderia explicar em parte o fato de o país registrar o maior número de mortes no mundo vítimas da COVID-19, mais de 6.000, segundo o balanço mais recente.

Um cenário similar acontece na Espanha, segundo país mais afetado da Europa, onde “o exército observou em algumas visitas (a casas de repouso) idosos absolutamente abandonados, quando não mortos em suas camas”, lamentou na segunda-feira a ministra da Defesa, Margarita Robles.

O Ministério Público da Espanha abriu uma investigação, assim como havia feito na semana passada ao descobrir que 19 idosos morreram em um asilo de Madri. Dezenas de mortes foram registradas em várias casas de repouso no país.

Na França, a epidemia “pode provocar mais de 100.000 mortes no caso de uma generalização que não ousamos imaginar”, advertiu uma das principais associações do setor de asilos, em uma carta enviada ao ministério da Saúde.

Os casos aumentam na região de Vosges (leste), onde 20 residentes de um estabelecimento de aposentados morreram “vítimas de uma possível relação com a COVID-19”, anunciaram as autoridades locais na segunda-feira.

– Visitas proibidas –

Para evitar uma hecatombe, o governo espanhol mobilizou o exército para higienizar as residências e colocou os estabelecimentos privados sob controle das regiões.

Vários países proibiram ou limitaram drasticamente as visitas, incluindo Itália, Espanha, França e Luxemburgo, mas também em outros pontos da Europa central, assim como os Estados bálticos.

“É muito duro para as famílias não saber o que acontece ali dentro”, admite Pauline, uma professora francesa que não quis revelar o sobrenome e cuja mãe, que não consegue falar por telefone, está hospitalizada em um estabelecimento de Paris no qual foi detectado o coronavírus.

Uma situação angustiante, pois a falta de material de proteção em locais muito vulneráveis, um fato denunciado em muitos países, “aumenta o risco de contágio”, segundo o Spi-CGIL.

A situação real nas casas de repouso continua sendo difícil de avaliar, pois os testes são raros. Na França se limitam em termos gerais aos “três primeiros enfermos em estruturas coletivas de pessoas vulneráveis”, afirmou o ministério da saúde à AFP.

A Espanha, que está importando centenas de milhares de testes de detecção, afirmou na segunda-feira que as casas de repouso serão a prioridade.

– Chamadas de vídeo –

Menos rígido que os vizinhos europeus, o Reino Unido também pediu aos asilos que reduzam as visitas “ao mínimo”, mas pediu que todos considerem “o efeito benéfico do contato com a família e os amigos”.

Para que as pessoas mais velhas possam manter o contato com as famílias, os funcionários se esforçam para facilitar as comunicações.

Em Murcia, sudeste da Espanha, os enfermeiros do asilo Ballesol Altorreal, com máscaras e luvas, emprestam os telefones para que os residentes conversem com seus familiares em chamadas de vídeo.

Em um vídeo divulgado pela casa de repouso, uma senhora tenta tranquilizar o interlocutor ao telefone: “Que coronavírus? Eu não tenho coronavírus”.