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Casamento de menores afeta independência de mulheres na América Latina e no Caribe

Casamento de menores afeta independência de mulheres na América Latina e no Caribe

Um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) aborda a falta de autonomia de mulheres na América Latina e no Caribe - AFP


Uma em cada quatro mulheres carece de autonomia para decidir sobre seu corpo na América Latina e no Caribe, principalmente devido ao alto índice de casamentos de menores de idade, alerta um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) apresentado nesta quarta-feira (14) no Panamá.

“Em nossa região, como no mundo, existem mulheres, meninas e jovens que não têm controle sobre seus corpos e suas vidas, apesar desse ser um direito fundamental”, disse Harold Robinson, diretor regional do UNFPA para a América Latina e o Caribe, durante a apresentação do documento.

Segundo o estudo, em média, 26% das mulheres latino-americanas e caribenhas entre 15 e 49 anos não têm poder de decisão sobre questões de saúde sexual e reprodutiva, uso de anticoncepcionais ou manutenção de relações sexuais.

O relatório, intitulado “Meu corpo me pertence”, afirma que, em nível global, apenas metade das mulheres pode tomar decisões relacionadas a seus cuidados médicos, suas relações sexuais e o uso de métodos contraceptivos.

“Todas essas são realidades que (também) ocorrem em nossas comunidades e países da região e ameaçam a autonomia corporal”, afirmou Robinson à AFP.


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“Não podemos nos conformar”, frisou Neus Bernabeu, assessora de gênero e juventude do escritório regional do UNFPA, com sede no Panamá.

– Futuro “roubado” –

No caso da América Latina e do Caribe, um dos principais obstáculos à autonomia das mulheres é o alto índice de casamentos de menores: uma em cada quatro se casa ou inicia uma união antes dos 18 anos, de acordo com o relatório.

As consequências são “devastadoras” porque o futuro dessas menores é “roubado”, lamentou Robinson.

Os especialistas consideram que esses casamentos precoces se devem a vários fatores, como desigualdade de gênero, violência, pobreza, evasão escolar, gravidez na adolescência e marcos legais inadequados.

Alertam, inclusive, que às vezes os casamentos de menores ocorrem como uma estratégia para escapar da pobreza. Porém, condicionam a saúde e o futuro da mulher, que tem que abandonar a escola e não pode tomar decisões por pressão social, cultural ou de seu parceiro.

Além disso, o fenômeno pode facilitar a violência de gênero devido à falta de oportunidades e de independência econômica.

“Na América Latina e no Caribe, pelo menos três em cada dez mulheres que se casaram durante a infância foram vítimas de violência por parte de seus parceiros”, disse Robinson.

“A autonomia corporal é um conceito fundamental para o desfrute de todos os direitos humanos”, no entanto, essa ainda é “apenas uma possibilidade remota para muitas pessoas na América Latina e no Caribe”, apontou.

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