Cartel do narcotraficante ‘El Mencho’ sobreviverá no Equador após sua morte, diz polícia

A morte do chefão do tráfico mais procurado do mundo no México não abalou as redes de seu poderoso Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) no Equador, seu maior centro de operações na América do Sul, afirmou à AFP o coronel da polícia equatoriana Roberto Santamaría.

O narcotraficante Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, morreu no domingo em uma operação militar que desencadeou a violência do CJNG, uma das organizações criminosas que operam o tráfico de cocaína que sai dos portos equatorianos rumo aos Estados Unidos e à Europa.

Para Santamaría, o CJNG “continua forte”, “eles se prepararam para isso porque sabiam que ‘El Mencho’ iria morrer, pois estava totalmente doente”, como indicam reportagens sobre um possível problema renal há anos.

Los Lobos, a maior facção criminosa do Equador, são o principal parceiro do CJNG nesse ponto estratégico do Pacífico, cobiçado pelos mexicanos por sua localização, economia dolarizada e pela corrupção de algumas autoridades.

“O Equador foi o paraíso para eles, porque havia tudo aqui”, disse Santamaría, diretor da Academia de Estudos Estratégicos da Polícia equatoriana.

E a morte de seu líder “não tem nenhum tipo de impacto no que será a economia” de Los Lobos, acrescentou.

Com presença em 80% do território equatoriano, Los Lobos atuam, além do narcotráfico, na mineração ilegal, tráfico de pessoas, comércio ilegal de armas, extorsão e sequestro.

Seu conhecimento das rotas para transportar a droga a partir da fronteira com a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, os colocou no radar do CJNG.

“A entrada do cartel Jalisco Nueva Generación foi devastadora” para o Equador, afirmou o coronel.

Para Michelle Maffei, especialista em segurança, uma vez que o CJNG defina seu novo líder, as facções equatorianas buscarão o “empregador que lhes pague melhor”.

“Dentro do crime organizado, lealdades não servem, o que importa é o dinheiro, a capacidade de coerção”, disse à AFP.

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