Aos 45 anos, a apresentadora Carol Ribeiro revelou que foi diagnosticada com esclerose múltipla. A modelo brasileira começou a ter sintomas da enfermidade em 2023, mas não procurou ajuda médica de imediato pensando que pudessem ser sinais da chegada da menopausa – fim do ciclo menstrual e da fase reprodutiva da mulher, que podem causar ondas de calor, suor excessivo, palpitações cardíacas, dor de cabeça ou enxaqueca.
“Quando os médicos fizeram a checagem de hormônios, estava tudo bem. Eu achava que iria enlouquecer. Eu pensava: ‘Se isso é a menopausa, todas as mulheres vão enlouquecer’”, afirmou.
Após não apresentar melhoras em seu quadro de saúde, a artista realizou uma bateria de exames e recebeu a notícia de que agora tinha a doença autoimune e degenerativa.
Ela, então, iniciou o tratamento com hormônios, terapia e exercícios físicos. “Eu não escutava o que meu corpo pedia e precisava, pois tinha outras prioridades. Agora tenho esse cuidado, de escutar meu corpo e saber o que preciso”, completou.
+ Carol Ribeiro é diagnosticada com esclerose múltipla aos 45 anos
“Depois que comecei o tratamento, eu não sinto mais nada, é como se a doença não existisse mais. Por isso, é importante olhar para dentro de você, nem que seja alguns minutinhos na hora do banho ou do almoço”, finalizou.
Em entrevista à IstoÉ Gente, Diogo Haddad, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, explicou os sintomas da esclerose múltipla e os possíveis tratamentos existentes até o momento. Segundo o médico, a doença é extremamente versátil.
“O paciente pode ter sintomas dos mais variados, porque tudo depende do local aonde a lesão inicial acontece. Os principais sintomas são os sensitivos, perda de sensibilidade, formigamentos, sintomas motores com perda de força ou mesmo sintomas visuais, que muitas vezes podem acontecer”, iniciou ele, desmistificando a ideia de que existem vários tipos de esclerose múltipla.
“Não existem tipos específicos, mas a gente sabe que existem formas muito reconhecidas, que são formas fenotípicas da doença. Hoje, a gente tem um certo cuidado em conversar sobre essas formas fenotípicas, porque normalmente elas têm a ver com atividade de doença, então esses são os tipos: formas ativas e formas progressivas. E aí, a partir dessas duas formas, a gente consegue entender melhor a maneira de tratar”, explicou.
Esclerose múltipla é genética?
Segundo Diogo Haddad, NÃO. “Mas ela tem características e fundos genéticos, mesmo não sendo hereditária, porque ela pode ter genes envolvidos em sua patologia por ser multifatorial. O paciente pode ter uma predisposição genética, mas nunca vir a ter a doença. Em compensação com a predisposição, ele pode ter um risco aumentado de desenvolvê-la por um gatilho autoimune”, disse ele, destacando o que vem a ser uma doença autoimune.
“Ela é inflamatória, crônica, desmielinizante, portanto afeta a mielina do sistema nervoso central”.
Tratamento
O médico ressalta que hoje em dia há muitas formas de tratamento para a esclerose múltipla, apesar não haver cura para a enfermidade. “Temos remédios de alta eficácia, que conseguimos segurar a doença durante muito tempo e organizar tudo muito bem.”
“Hoje, existem tratamentos dos melhores possíveis que agem na fisiopatologia, que a gente já conhece muito bem da doença, então a gente sabe muito bem como funciona o sistema autoimune atacando o sistema nervoso central na mielina em si e a gente consegue bloquear esse processo de uma forma cada vez mais organizada. Então, tratando bem esse paciente, a gente tem uma boa qualidade de acompanhamento e, portanto, uma vida basicamente, não completamente, mas uma vida o mais normal possível para eles.”
Causas
Segundo o médico, não existe uma causa específica, a gente sabe que pode ser um gatilho ambiental específico, como um vírus. Existem associações até com Epstein-Barr e outras coisas, mas muito cuidado em falar de uma causa, porque não existe uma isolada, existem várias e a pessoa tem que ter uma predisposição para isso”, esclareceu.
“Não tem como fazer uma forma de prevenção da doença, mas sim como entender quais são os sintomas e fazer um diagnóstico mais precoce possível, porque hoje o grande objetivo da esclerose múltipla é fazer um diagnóstico precoce, iniciar um tratamento adequado e rapidamente”, encerrou.