A suspensão das importações de carne bovina do Brasil pela União Europeia, em vigor desde 3 de setembro, acende um alerta na Itália. A medida impacta diretamente a produção de bresaola, um embutido de carne curada com Indicação Geográfica Protegida (IGP), originário do vale de Valtellina, na região da Lombardia, que depende crucialmente da matéria-prima brasileira. A decisão da UE, motivada por preocupações com regras sobre antimicrobianos, gera apreensão entre os produtores italianos, que alertam para a escassez iminente.
- A União Europeia suspende importações de carne bovina brasileira, afetando diretamente a produção de bresaola na Itália.
- A bresaola, embutido com IGP da Lombardia, utiliza 60% de carne do Brasil como matéria-prima, mesmo sendo produzida localmente.
- Produtores alertam para escassez de matéria-prima em dois a três meses e alta de preços devido à falta de alternativas viáveis no mercado.
O paradoxo da bresaola é explicado pelo regulamento do produto, que exige que a produção seja realizada na província de Sondrio, mas não que a carne seja necessariamente italiana. Atualmente, segundo o consórcio de produtores de bresaola, citado pelo site Il Post, 82% da matéria-prima usada no embutido chega da América do Sul, e 60% é proveniente especificamente do Brasil.
“O bloqueio vai retirar de imediato pelo menos 25% da matéria-prima de que precisamos”, afirmou Mario Moro, presidente do Consorzio di Tutela Bresaola della Valtellina, ao jornal Il Sole 24 Ore. A associação reúne 13 empresas e cerca de 1,5 mil trabalhadores na região.
Em 2025, o consórcio produziu 11,9 mil toneladas de bresaola, com valor estimado em 502 milhões de euros (aproximadamente R$ 3 bilhões), demonstrando a relevância econômica da atividade para a Lombardia.
Por que a união europeia suspendeu as importações?
O problema começou quando a UE anunciou a criação de uma lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, com base no cumprimento de rigorosas regras sobre antimicrobianos e antibióticos. O Brasil ficou fora dessa relação, que passou a valer em setembro e atinge carne bovina, de frango, equina, ovos e mel.
Desde o anúncio da suspensão, o preço da carne bovina usada na bresaola subiu 15%. As empresas tentaram formar estoques de segurança para mitigar o impacto, mas a medida teve efeito limitado. Segundo Moro, os produtores italianos têm reservas de matéria-prima para apenas dois ou três meses.
Argentina, Paraguai e Uruguai estão em conformidade com as regras europeias e poderiam ser alternativas, mas a capacidade de oferta desses países é limitada e não consegue cobrir a demanda italiana no curto prazo, aprofundando a crise para os produtores de bresaola.
Quando o brasil pode retomar exportações?
Segundo a União Europeia, a suspensão será revogada somente quando o Brasil demonstrar controles adequados sobre o uso de antimicrobianos e antibióticos na criação de gado. O prazo para a retomada das exportações brasileiras é incerto, deixando o setor da bresaola em Valtellina em compasso de espera.
Leia também;
Avaliação: Fiat Strada é sucesso construído com inovações, mas está longe de ser perfeita
‘Off-road light’ por R$ 89.990: Citroën C3 XTR 2027 fica R$ 12 mil mais barato em promoção