SÃO PAULO, 13 FEV (ANSA) – Por Bruna Galvão – Abram alas que o Carnaval chegou na Itália e, até a próxima terça (17), muitos doces, massas e carne de porco irão marcar a festividade em meio a máscaras, desfiles de carros alegóricos e até uma “batalha das laranjas”.
De acordo com pesquisa divulgada nesta semana pela confederação de agricultores Coldiretti, enquanto padarias e supermercados vendem doces típicos carnavalescos entre 20 (R$ 123) a 25 euros (R$ 154) o quilo, as variedades mais sofisticadas e artesanais podem chegar a 60 euros (R$ 369) o quilo. Por isso, quase metade das famílias italianas (46%) decidiu economizar na folia este ano e fará suas próprias guloseimas em casa, garantindo, ao mesmo tempo, ingredientes frescos e de alta qualidade.
Se as máscaras são o símbolo do Carnaval de Veneza, as frappe representam a festa na Itália no aspecto culinário. Também chamadas de chiacchiere ou bugie, a depender da região, são tiras de massas fritas e polvilhadas com açúcar de confeiteiro.
Outra protagonista do Carnaval italiano são as castagnole, presentes em quase todo o país, mas muito populares em regiões como Emilia-Romagna, Lazio, Vêneto e Piemonte. Este doce secular é um bolinho frito coberto com açúcar e moldado em formato de castanha.
Outra fritura muito apreciada na data é a crema fritta, no Vêneto: um bolinho recheado com creme, crocante por fora e macio por dentro, que anima o baile de máscaras em Veneza.
Mas nem só de fritura vivem os foliões italianos. No sul do país, o sanguinaccio brilha de modo especial no período e, como uma brincadeira de Carnaval, pode até enganar os desavisados.
“Passei minha infância comendo sanguinaccio, um doce feito com chocolate, vindo a descobrir, anos depois, que ele também leva sangue de porco”, contou à ANSA Gerardo Landulfo, delegado da Accademia Italiana della Cucina em São Paulo.
A iguaria, típica da Campânia, terra natal de Landulfo, é um creme aveludado de chocolate, que, em sua receita original, era preparado com sangue de porco, afinal, “del maiale non si butta via niente” (“do porco, nada se joga fora”).
“A culinária italiana é sazonal. Tradicionalmente, o porco é abatido em dezembro e suas carnes nobres são consumidas no período de festas [Natal e Ano Novo]. Com o que sobra, são feitos os embutidos, que levam entre 30 a 40 dias na maturação.
E claro, há o sangue, usado de várias formas”, explicou Landulfo, que ainda aprecia o sanguinaccio, mas hoje feito sem o ingrediente animal.
Na mesma linha, uma das estrelas carnavalescas é o cotechino, um embutido de Modena, na Emilia-Romagna, similar ao salame, mas cozido antes de ser servido.
A carne suína também tem seu espaço em Ivrea, provando que nem só de “batalhas de laranjas” se faz a famosa festa nessa cidade piemontesa. Para que os foliões tenham forças para uma das maiores lutas de comida do mundo, uma tradição popular medieval contra um líder tirano, a tradição manda distribuir gratuitamente a fagiolata de Ivrea, um feijão fumegante enriquecido com carne suína, que também ajuda a aquecer os participantes em pleno inverno.
“Na fagiolata moderna, além da carne e dos embutidos, a receita também leva tomate”, revelou Landulfo. Outros pratos substanciosos do carnaval italiano são as massas, que também aquecem os foliões. Uma das rainhas da festa é a lasanha, que, a depender da região, pode ser feita de diversas maneiras. A napolitana é a mais famosa e leva ingredientes como polpetini, ricota, salame e ovos. (ANSA).