Muito além do Sambódromo do Anhembi, o Carnaval de São Paulo pulsa com força nos bairros. É ali, nos desfiles organizados pela União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP), que o chamado carnaval de base mantém viva a tradição, movimenta comunidades e transforma a festa em ferramenta de pertencimento cultural.
Fundada em 10 de setembro de 1973, a UESP é a mais antiga gestora de carnaval em atividade no país e reúne 73 agremiações — 55 escolas de samba e 18 blocos de fantasia. Os desfiles acontecem nos sambódromos de bairro do Butantã, na Zona Oeste, e da Vila Esperança, na Zona Leste, reunindo milhares de componentes, ritmistas e foliões ao longo de vários dias de programação.
No Butantã, foram três dias de desfiles com 26 escolas e cerca de 13 mil desfilantes, além de público médio de 35 mil pessoas por dia. Já na Vila Esperança, a festa se estendeu por cinco dias, com 23 escolas e 18 blocos, recebendo aproximadamente 18 mil pessoas por noite. Os números evidenciam a dimensão cultural de uma festa que nasce e se fortalece dentro das comunidades.
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O impacto também se reflete na economia criativa. Costureiras, aderecistas, músicos, técnicos e ambulantes integram a cadeia produtiva que se mobiliza ao redor da folia. Em 2026, considerando toda a cidade, o Carnaval reuniu mais de 16 milhões de pessoas, além de ter movimentado mais de R$ 3,4 bilhões, e de ter gerado cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos, segundo a prefeitura — parte desse resultado impulsionado justamente pelo carnaval descentralizado.
Para Nenê Teixeira, presidente da UESP, o alcance vai além da celebração. “Além da oferta ao lazer às famílias paulistanas, os desfiles das escolas de samba e blocos de fantasias auxiliam no giro da economia local e ainda são uma importante ferramenta de geração de emprego e renda”, afirma.
Ao valorizar o carnaval de base, São Paulo reafirma que a maior festa popular do país também é construída longe dos grandes holofotes — nos bairros, nas quadras e nas comunidades que fazem da cultura uma força permanente de identidade e desenvolvimento.