Cármen Lúcia diz que STF só será igualitário quando for composto por 11 mulheres

Ministra do Supremo cobrou maior presença feminina em espaços de podere

Reprodução / Tribunal de Contas da União
Foto: Reprodução / Tribunal de Contas da União

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, cobrou, na quarta-feira, 11, maior presença feminina em espaços de poder — como no próprio Supremo — durante o evento “Todos e Todas Contra o Feminicídio”. A ministra também fez alusão ao Dia Internacional das Mulheres Juízas, celebrado na terça-feira, 10.

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O discurso de Cármen Lúcia foi direcionado à luta feminina não apenas pela ocupação de espaços institucionais, mas também na sociedade de modo geral. Ao propor uma reflexão sobre representatividade e os percalços enfrentados pelas mulheres, a ministra relembrou a primeira mulher a assumir o cargo no Supremo, Ellen Gracie Northfleet, nomeada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela tomou posse em 14 de dezembro de 2000.

Logo no início da cerimônia, a ministra declarou que a igualdade entre homens e mulheres nos cargos do Supremo só será estabelecida no momento em que as 11 vagas forem ocupadas exclusivamente por mulheres. “Sem mulheres, não há democracia. Porque, sem mulheres, não há uma civilização de pessoas humanas”, declarou a presidente.

Segundo a ministra, em 24 de abril a ONU instituiu o Dia Internacional das Mulheres Magistradas. Ela afirma que a data serve, principalmente, para reconhecer um diferencial enfático no tratamento de juízas e juízes. “A mulher juíza é uma ‘mãe gistrada’, porque desempenha todas as tarefas domésticas e de cuidado. Portanto, as dificuldades são diferentes.”

Insatisfação da ministra

Cármen Lúcia já expressou insatisfação pela constante reversão de conquistas femininas no Judiciário. Em agosto de 2025, a ministra alegou que a má vontade com a presença de mulheres nos tribunais era “óbvia”.

A manifestação foi feita durante o julgamento no qual o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revogou a formação de uma lista tríplice composta por mulheres para a vaga da advocacia no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Na ocasião, a ministra Cármen Lúcia comentou que tomou conhecimento de que alguns tribunais estariam aguardando o fim de sua gestão à frente do TSE (previsto para o próximo ano) para revogar a norma da Corte sobre alternância de gênero nas indicações.