Cármen Lúcia revela ser aconselhada a deixar cargo por ofensas machistas

Magistrada do STF afirmou em São Paulo que a família sugere a saída devido a ataques sexistas que sofre

Cármen Lúcia
A ministra Cármen Lúcia vota no julgamento sobre a trama golpista Foto: Antonio Augusto/STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou nesta segunda-feira (13) que é aconselhada por familiares a deixar o cargo. A magistrada recebe ofensas machistas diariamente, o que tem gerado preocupação em seu círculo íntimo e a levado a refletir sobre a permanência na Corte.

A declaração ocorreu durante sua participação na palestra “O Brasil na visão das lideranças públicas”, organizada pelo Instituto FHC, na cidade de São Paulo.

O que aconteceu

  • Cármen Lúcia, do STF, é alvo constante de ofensas machistas e sexistas, e a família pede que deixe o cargo.
  • A ministra avalia que a escalada de ataques pode desmotivar magistrados a assumir cadeiras na Corte Suprema.
  • Cármen Lúcia garante agir com base na lei e rechaça acusações, buscando transparência em sua atuação.

A ministra citou as ameaças sofridas pelos integrantes da Corte e avaliou que alguns magistrados podem, de fato, recusar a assumir uma cadeira no Supremo para não serem alvos de ataques semelhantes.

“Algumas pessoas não vão querer ir, porque a nossa família não quer que a gente fique. Para nós mulheres, nem se fala, dificuldade é enorme, porque o discurso de ódio contra homem é mau administrador. Contra nós, os senhores já viram o que fazem a meu respeito, ele é sexista, machista e desmoralizante. Todo mundo da família fala: Cármen, sai disso, já fez o que tinha o que fazer”, afirmou.

Questionamentos ao STF

A ministra também reconheceu que há um “momento de tensão”, no qual o Supremo é questionado pela sociedade. No entanto, Cármen Lúcia defendeu sua conduta, assegurando que não comete irregularidades.

“Da minha parte, podem dormir tranquilos, porque eu tento fazer o melhor todo dia e não há nenhuma linha minha que não seja com base na lei. Eu já votei contra o meu pai, que estava vivo, e avisei a ele, no caso dos poupadores”, completou.

Não é a primeira vez que Cármen Lúcia, única ministra da Corte, expõe ser alvo de ataques machistas. No mês passado, ela já havia relatado ter sido comunicada sobre uma ameaça de bomba com o intuito de matá-la.

Da IstoÉ