Cármen Lúcia debate direitos fundamentais e democracia em encontro na Itália

Ministra do STF participou de reuniões da Comissão de Veneza e discutiu proteção às mulheres, acesso à Justiça e fortalecimento das instituições

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A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), participou, nesta quinta-feira (8), de uma série de compromissos institucionais em Veneza, na Itália, voltados à proteção dos direitos fundamentais, ao fortalecimento da democracia e à ampliação do acesso à Justiça.

As atividades ocorreram no âmbito da Comissão de Veneza, órgão consultivo do Conselho da Europa especializado em questões constitucionais e institucionais.

Cármen Lúcia ocupa a vice-presidência da Subcomissão de Direitos Fundamentais da entidade, da qual o Brasil faz parte desde 2009.

Durante a agenda, a magistrada participou de debates sobre garantias individuais, direitos das minorias, ética parlamentar e responsabilidade de autoridades públicas.

Ministra discute violência contra brasileiras na Itália

Um dos primeiros compromissos de Cármen Lúcia foi uma reunião com a cônsul honorária do Brasil em Veneza, Helen Gnocchi.

Durante o encontro, realizado pela manhã, a representante consular apresentou relatos de violência doméstica envolvendo mulheres brasileiras que vivem na região.

A ministra abordou os avanços da jurisprudência brasileira no combate à revitimização, situação em que uma pessoa que já sofreu violência é submetida a novos constrangimentos ou experiências traumáticas durante procedimentos institucionais.

O tema envolve especialmente o atendimento prestado por autoridades policiais, órgãos judiciais e outras instituições responsáveis pela proteção das vítimas.

A discussão destacou a importância de mecanismos que assegurem acolhimento adequado e evitem a repetição desnecessária de relatos traumáticos.

Comissão de Veneza analisa direitos fundamentais

No início da tarde, Cármen Lúcia participou de uma reunião da Subcomissão de Direitos Fundamentais da Comissão de Veneza.

O encontro foi dedicado à análise de pareceres e opiniões consultivas relacionados a garantias individuais e coletivas.

Entre os assuntos discutidos estavam o direito de associação política dos cidadãos, a proteção das minorias e o exercício das liberdades individuais.

A Comissão de Veneza atua na elaboração de recomendações e pareceres sobre questões constitucionais, buscando contribuir para o fortalecimento do Estado de Direito e das instituições democráticas.

A participação brasileira permite o intercâmbio de experiências jurídicas com representantes de diferentes países.

Ética parlamentar e responsabilidade de ministros entram na pauta

A ministra também integrou uma reunião da Subcomissão de Instituições Democráticas.

Os participantes discutiram questões relacionadas à boa governança e aos mecanismos de responsabilização de autoridades públicas.

Entre os temas analisados estavam as normas de conduta ética aplicáveis aos integrantes dos parlamentos e a responsabilidade política e penal de ministros.

As discussões abordaram instrumentos institucionais destinados a assegurar a transparência e o funcionamento adequado das estruturas democráticas.

O encontro fez parte da programação da Comissão de Veneza voltada ao aperfeiçoamento de práticas jurídicas e constitucionais.

Acesso à Justiça encerra agenda da ministra

O último compromisso de Cármen Lúcia foi a participação no seminário dedicado ao intercâmbio de experiências sobre acesso à Justiça.

O evento reuniu representantes da Comissão de Veneza e da Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH).

A palestra principal foi conduzida pelo presidente da Corte Europeia, Mattias Guyomar, que discutiu os elementos necessários à preservação do Estado de Direito.

Durante sua apresentação, Guyomar destacou a importância de mecanismos capazes de prevenir abusos de poder e decisões arbitrárias.

O magistrado também abordou o papel do controle de constitucionalidade na proteção das garantias fundamentais.

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de ampliar o diálogo entre magistrados de tribunais nacionais, supranacionais e internacionais.

Segundo a abordagem apresentada no seminário, a cooperação entre diferentes sistemas judiciais contribui para fortalecer a proteção dos direitos e a estabilidade das instituições.

Cármen Lúcia entrega Constituição brasileira a presidente de corte europeia

Ao final do seminário, Cármen Lúcia presenteou Mattias Guyomar com um exemplar da Constituição Federal brasileira traduzida para o inglês.

O gesto marcou o encerramento da participação da ministra nas atividades institucionais realizadas em Veneza.

A agenda reforçou a presença do Judiciário brasileiro em discussões internacionais sobre democracia, direitos humanos e garantias constitucionais.

Da IstoÉ