O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu nesta quinta-feira, 29, que os trabalhos do colegiado envolvendo o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, se restrinja a descontos ilegais a aposentados e pensionistas. Segundo ele, outros assuntos referentes ao banco, como os que levaram à liquidação do banco, devem ser tratados em uma eventual comissão à parte.
“A nossa relação com o Banco Master começa nos consignados que estão no banco, de 250 mil, e termina nos consignados. A relação do Banco Master com quem investiu dinheiro em CDB, com relações contratuais com outros bancos, não cabe à CPMI investigar. Isso não está na nossa função. Isso é outra CPMI que tem que ser criada”, declarou a jornalistas.
Viana afirma que incluir a emissão de títulos nas investigações da CPMI poderia desmoralizar o colegiado por entrar em uma arena que não lhe compete.
A CPMI marcou para a próxima quinta-feira, 5, o depoimento de Vorcaro. Há expectativa, porém, para que o banqueiro entre com habeas corpus para não comparecer. Viana afirmou que causa estranhamento uma suposta proteção ao banqueiro. “Há uma série de procedimentos que vêm blindando o senhor Vorcaro de prestar esclarecimentos à população brasileira. Ele tem conseguido, de uma forma surpreendente e até estranha, apoios e resoluções que garantem a ele um sigilo que não interessa ao Brasil”, falou.
O senador defendeu um mandado de segurança para devolver ao colegiado dados resultantes da quebra de sigilo de Vorcaro. “A minha ideia é nós entrarmos com um mandado de segurança para que toda a documentação que foi retida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e que está em mãos do presidente do Senado seja devolvida à CPMI”.
Segundo o presidente da CPMI, vários parlamentares tiveram acesso aos documentos, mas estão impedidos de usar os dados até que haja autorização.
Presidente do BMG
O presidente do BMG, Luiz Félix Cardamone Neto, também foi convocado a falar na CPMI. Segundo Viana, ele já concordou em prestar depoimento em 25 de fevereiro.
“O advogado entrou em contato comigo, fez uma solicitação de que ele estará em viagem até o dia 21 de fevereiro, não impetrará habeas corpus, virá de boa vontade à CPMI. Nós estamos marcando para o dia 25, logo depois do carnaval está confirmada a presença dele”, declarou o senador.
Senador Weverton e parentes de Lula
Viana disse que caberá ao relator da CPMI, Alfredo Gaspar, solicitar ou não mais informações de parlamentares com suposta ligação às fraudes do INSS, como o senador Weverton (PDT-MA). Segundo o senador, Weverton se colocou à disposição para apresentar sua defesa. “Não haverá blindagem de ninguém, nem de deputado, nem de senador, o relatório vai trazer as informações de todas as investigações que estão sendo colocadas”, falou Viana.
O senador do Podemos também reiterou que a CPMI poderá votar requerimentos para depoimentos do irmão e do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Todos os nomes importantes para o relatório e que surjam informações novas, como surgiram, serão colocados em convocação. Eu não tenho restrição nenhuma em trazer à população brasileira a vontade de deixar transparente todo o trabalho. Se vão aprovar ou não, é uma questão de consciência e de posicionamento de cada um dos deputados”.
Prorrogação da CPMI
Carlos Viana disse ainda que pedirá, na próxima semana, ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a prorrogação da CPMI por mais 60 dias. “Se conseguirmos mais dois meses, tenho certeza que o relatório ficará muito melhor e mais completo, para que a população brasileira possa saber com muita profundidade o tamanho desse escândalo”, disse.