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‘Cara incapaz de fazer mal’, diz irmão de rapaz deficiente que teria sido morto por PMs

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Ruan do Nascimento, de 26 anos, foi baleado na noite de sexta-feira (6) (Crédito: Reprodução)

Ruan do Nascimento, de 26 anos, era portador de deficiência intelectual e morava na comunidade Barreira do Vasco, em São Cristóvão (RJ). Ele foi morto na última sexta-feira (6) ao ser baleado nas costas enquanto estava a caminho de uma barbearia. Dois policiais militares à paisana são suspeitos de terem cometido o crime e foram afastados de suas atividades pela 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, que abriu um procedimento para apurar o caso. As informações são do UOL.

O rapaz era torcedor fanático do Vasco da Gama e frequentava os jogos do time. No sábado (7), o clube prestou homenagem ao Ruan.


O seu irmão mais velho, Renan do Nascimento, informou que, após ser baleado, o rapaz foi jogado no porta-malas de um carro e levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro.

Ao saber do ocorrido, a família teve de procurar pelo jovem. Quando chegaram ao hospital, os parentes foram informados que o disparo que atingiu Ruan teria partido de policiais militares.

“(Os policiais) mataram um cara incapaz de fazer mal a alguém”, disse Renan.

PMs afastados

A Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que os agentes estava na comunidade “para verificar a comercialização ilegal de cobre na localidade do Café, onde ocorreu confronto durante a checagem”.

Por outro lado, a família de Ruan negou que tenha ocorrido trocas de tiros na região.

Mesmo assim, os policiais, que não tiveram as identidades reveladas, foram afastados das ruas. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) informou que os agentes integram o Batalhão Reservado da PM. O órgão também presta apoio jurídico à família de Ruan.

Enterrado no Dia das Mães

Ruan do Nascimento foi enterrado no último domingo (8), Dia das Mães, no Cemitério São Francisco Xavier.

O irmão ressaltou que, apesar da deficiência intelectual, o jovem era independente.

“A gente tá tentando levar. É um sentimento de revolta. Ele era uma pessoa indefesa, um homem que queria jogar futebol com crianças na comunidade. A gente tinha que explicar que ele era mais forte, que ele não podia participar daquele jogo específico. Era puro.”

Ruan completaria 27 anos no próximo dia 19.