BRUXELAS, 03 OUT (ANSA) – A capitã alemã Carola Rackete, que ficou famosa ao comprar briga com o então ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, participou nesta quinta-feira (3) de uma audiência no Parlamento da União Europeia e acusou o bloco de ignorar os pedidos de ajuda do navio Sea Watch 3.
O caso ocorreu em junho passado, quando Rackete forçou a entrada da embarcação, pertencente à ONG alemã Sea Watch, no porto de Lampedusa, ilha italiana situada no Mediterrâneo Central. Ao entrar no cais, o navio se chocou contra um barco da Guarda de Finanças e provocou a fúria de Salvini, que havia impedido o desembarque.
Rackete chegou a ficar presa na Itália e é investigada por favorecimento à imigração clandestina e violência contra navio de guerra, mas denunciou o ex-ministro do Interior por difamação, já que ele a havia definido como “cúmplice de traficantes” e “criminosa”.
O Sea Watch 3 tinha resgatado 53 pessoas no Mediterrâneo, porém apenas 40 estavam a bordo quando Rackete entrou no porto de Lampedusa sem permissão, após 17 dias no mar.
“Eu tive atenção das instituições, mas onde vocês estavam quando pedimos ajuda? A única resposta que tive foi de Trípoli [na Líbia], para onde eu não podia ir. Na Europa, o berço dos direitos, nenhum governo queria 53 migrantes. Foi uma vergonha, eu fui deixada sozinha. Os governos erigiram muros, como se houvesse a peste no navio”, disse a alemã.
Ela ainda afirmou ter agido por “obrigação”, e não por “provocação”. “Não era mais seguro ficar no mar”, acrescentou Rackete, que foi aplaudida pelo plenário do Europarlamento. A alemã também disse que é uma “distorção da justiça” punir civis que salvam vidas no mar.
Rackete, no entanto, ressaltou que a Itália e os países mediterrâneos foram “deixados sozinhos” pela União Europeia na gestão da crise migratória. “O novo governo italiano está sob pressão, e acho que a pressão só deve ser reduzida se, de uma vez por todas, os Estados-membros da UE mostrarem solidariedade para encontrar soluções europeias”, afirmou. Já Salvini, em entrevista à ANSA, disse que, “em um país civilizado, uma mulher que arriscou matar cinco militares italianos [da Guarda de Finanças] estaria presa, e não dando lições no Parlamento Europeu”. (ANSA)