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Capacidade mundial de energias renováveis aumentará 50% até 2024

Capacidade mundial de energias renováveis aumentará 50% até 2024

Os diversos tipos de energias renováveis no mundo em 2018 e a previsão de sua capacidade para 2024 - AFP

As energias renováveis verão um aumento de 50% em sua capacidade mundial até 2024, impulsionadas, sobretudo, por pequenas unidades solares, um aumento “animador”, mas insuficiente para substituir as energias fósseis, afirmou nesta segunda-feira (21) a Agência Internacional de Energia (AIE).

Após uma estagnação em 2018, devido às novas orientações orçamentárias na China, o setor voltou a disparar, com um crescimento de dois dígitos previsto para 2019, segundo o relatório “Renováveis 2019” da AIE.

Para os próximos cinco anos, a agência prevê um aumento de 1.200 gigawatts de novas capacidades, ou seja, o equivalente à capacidade elétrica atual dos Estados Unidos.

Graças às políticas governamentais e à queda dos custos, as energias renováveis passarão de 26% a 30% da produção de eletricidade mundial, atrás do carvão (cerca de 34%).

“Estamos em um momento de transição”, resume o diretor da AIE, Fatih Birol. As energias “solar e eólica estão no centro das transformações do sistema energético”. Mas “serão necessários mais esforços”, para o clima, a qualidade do ar ou o acesso à energia.

O organismo prevê um crescimento “espetacular” (60% da progressão das renováveis) no setor solar fotovoltaico, sobretudo no nível das instalações “descentralizadas”, em comparação com as grandes usinas solares. Trata-se de todos os dispositivos colocados em residências, empresas ou supermercados, capazes de produzir sua própria energia.

Em muitos países, os custos de produção destas instalações caíram até o ponto de ser mais baixos que os preços de venda cobrados pelos fornecedores de eletricidade. E a AIE estima que cairão ainda mais, de 15% a 35% antes de 2024.

China, União Europeia, Estados Unidos e Índia serão afetados, mas também África e vários países da Ásia, onde esses dispositivos representarão “um primeiro acesso à eletricidade para cerca de 100 milhões de pessoas nos próximos cinco anos”, disse à imprensa Paolo Frankl, responsável do âmbito das renováveis na AIE.

– “Crescimento meteórico” –

Estes sistemas funcionam especialmente bem nas fábricas e comércios, ativos durante o dia, quando se chega ao máximo nível potencial da energia solar.

No nível de particulares também, onde o número de telhados equipados com estas instalações teria que dobrar, até cerca de 100 milhões antes de 2024, segundo a AIE. Ou seja, 6% da superfície de telhados disponível. Lideram a lista Austrália, Bélgica, Califórnia, Holanda e Áustria.

“Um crescimento tão meteórico, fora dos círculos dos fornecedores de energia tradicionais, transformará a forma como produzimos e consumimos eletricidade”, adverte Fatih Birol.

“Seu desenvolvimento tem que ser bem administrado, de modo a garantir rendimentos estáveis para a manutenção das redes, conter os custos de integração ao sistema e distribuir de forma igualitária os custos entre os consumidores”, continua.

Estes sistemas “dão muito poder aos produtores de energia individuais”, resume, mas também “dão aos cidadãos uma forma de contribuir ao combate contra o aquecimento climático”.

Outro setor promissor é a energia eólica marinha, que atualmente produz apenas 0,3% da eletricidade mundial. “Não é nada, mas o potencial é enorme na Europa, Estados Unidos e China”, afirmou Birol.

As energias hidráulica e eólica terrestre também seguirão uma tendência ao aumento.

As margens de progresso são imensas, enquanto as emissões de CO2 das energias fósseis, a primeira causa do aquecimento climático, não parecem diminuir.

Em relação aos deslocamentos, apesar dos veículos elétricos, a eletricidade verde representará em 2024 apenas 10% das energias renováveis utilizadas nos transportes (o resto provém dos agrocombustíveis, e tendo em conta que a eletricidade é de origem fóssil em grande parte dos países), destaca a AIE, que defende uma maior regulação e medidas de apoio.

“A desconexão entre as declarações dos governos (sobre o clima) e o que acontece na vida real é uma grande preocupação”, alerta Birol.