Cultura

Cantor e ativista sul-africano Johnny Clegg morre aos 66 anos

Cantor e ativista sul-africano Johnny Clegg morre aos 66 anos

(2014) O músico sul-africano Johnny Clegg, em apresentação no Marrocos - AFP/Arquivos

O cantor e compositor sul-africano Johnny Clegg, que misturou ritmos zulus com estilos ocidentais, morreu nesta terça-feira, (16) depois de uma longa batalha contra o câncer, informou seu empresário.

“Johnny faleceu ao lado de sua família esta tarde depois de uma batalha de quatro anos e meio contra o câncer”, declarou Roddy Quinn.

Clegg, uma das vozes mais conhecidas da moderna música sul-africana, participou ativamente do movimento antiapartheid e compôs uma música em homenagem ao líder Nelson Mandela.

Músico engajado, ele encarnava a resistência a regime de segregação racial com suas canções, uma mistura de ritmos zulu e pop ocidental, e depois a reconciliação.

Por muito tempo censurado na África do Sul, fez sucesso no exterior antes de alcançar o status de astro em seu país.

Nos piores momentos do regime racista, teve suas canções proibidas.

Para evitar a censura, foi obrigado a se apresentar com seu grupo, Juluka, formado com o músico zulu Sipho Mchuno, em universidades, igrejas, albergues de migrantes e casas particulares.

“Tínhamos que nos virar para evitar a quantidade de leis que impediam qualquer aproximação interracial”, disse à AFP em 2017.

Apesar de tudo, a polícia do apartheid chegou a proibir alguns de seus shows e o cantor chegou a ser detido várias vezes, acusado de violar as leis da segregação racial.

O governo racista branco não tolerava que um dos seus se inspirasse na história e cultura zulus.

No exterior, no entanto, Johnny Clegg encontrou rapidamente um público.

Sua música era revolucionária, onde os fortes ritmos zulus conviviam com a guitarra, o teclado elétrico e o acordeon.

Em 1982, o lançamento de seu álbum, “Scatterlings of Africa”, o alavancou para o tipo do ranking em Grã-Bretanha e França.

Cinco anos depois, confirmou-se como um artista “político” com a canção “Asimbonanga” (“Não o vimos”, em idioma zulu), um sucesso planetário dedicado a Nelson Mandela, herói da luta antiapartheid então preso em Robben Island, África do Sul.

O título foi proibido pelo governo sul-africano.

Clegg e Mandela se encontraram depois do fim do apartheid em um show em Frankfurt, Alemanha.

Johnny Clegg nasceu no Reino Unido em 1953, filho de pai britânico e mãe zimbabuana, cantora de jazz, e chegou à África do Sul aos 7 anos.