Edição nº2551 09/11 Ver edições anteriores

Candidatos, partidos e futuros alternativos

Noventa e nove por cento das coisas que li sobre o corrente processo eleitoral falam de Haddad e Bolsonaro como pessoas físicas, com raríssimas referências às pessoas jurídicas — partidos e organizações — aos quais se associam.

No caso de Bolsonaro, a pessoa jurídica PSL (Partido Social Liberal) é de fato irrelevante. Não perderíamos nada se, por engano, o citássemos como candidato do PWYZ. Com Haddad, é diferente; não há como falar dele sem falar do PT.

Mesmo esse ajuste — da pessoa física para a jurídica — deixa escapar uma questão essencial. Suponhamos que, em janeiro, num surto de loucura, o eleito resolva mudar não só alguns programas específicos de governo, mas aspectos fundamentais do regime político e econômico do País. Que Haddad, cinco minutos após indultar Lula, convocasse o “exército do Stédile”, e que tal exército tivesse mesmo um poder de fogo considerável. Bolsonaro, por sua vez, chamaria as Forças Armadas e a “bancada da bala”. Se tal aventura desse certo, a que tipo de regime nos levaria?

Aqui chegamos à distinção entre regimes autoritários e totalitários, bem conhecida no campo da Ciência Política. Regimes autoritários são ditaduras, mas não ditaduras primitivas, controladas com mão de ferro por um caudilho qualquer (um Somoza, um Stroesner) e sua polícia. Regimes autoritários, ao contrário, mantêm um certo grau de institucionalidade. O Judiciário, por exemplo, continua a funcionar e a aplicar as leis existentes, com raríssimas intervenções do Executivo no tocante ao conteúdo das sentenças situadas nos domínios civil e criminal. Mantêm a ordem política, impedem protestos etc, mas não têm a pretensão de moldar os valores e comportamentos cotidianos da sociedade. O Estado Novo (1937-1945) de Getúlio Vargas, nosso regime militar de 1964-1985 e o salazarismo português são bons exemplos.

Em comparação, o petismo tem claros traços de um projeto de dominação total, vale dizer, de um regime totalitário. A existência de uma ideologia totalizante (geralmente reforçada por uma polícia secreta) faz toda a diferença. Não creio que tente implantar um regime dessa natureza, e se tentar falhará, com toda certeza, dada a robustez estrutural da sociedade brasileira.

O petismo tem claros traços de um projeto de dominação total, vale dizer,
de um regime totalitário. A existência de uma
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