Candidata do partido islamita Ennahdha será primeira prefeita de Túnis

Candidata do partido islamita Ennahdha será primeira prefeita de Túnis

Souad Abderrahim, líder da chapa do partido islamita Ennahdha nas recentes eleições municipais em Tunes, se tornou nesta terça-feira a primeira mulher eleita para ocupar a prefeitura da capital.

Abderrahim, membro do gabinete político de Ennahdha apesar de definir-se como independente, foi eleita pelos novos vereadores municipais com 26 votos a favor, contra os 22 para seu principal adversário, Kamel Idir.

Idir, que foi uma autoridade local durante o regime de Zine el Abidine ben Ali, era líder de chapa do partido Nidaa Tounès, fundado pelo presidente Béji Caïd Essebsi e atual aliado da Ennahdha a nível nacional.

“Ofereço essa vitória a todas as mulheres de meu país, a toda a juventude e a Tunes”, disse, visivelmente emocionada, esta gerente de empresa farmacêutica, de 53 anos.

“A primeira questão a ser enfrentada será a melhora da imagem de Tunes”, disse à AFP.

A capital tunisiana enfrenta um problema de gestão de resíduos, que piorou após a revolução de 2011, que expulsou Ben Ali do poder.

Abderrahim foi eleita no segunda turno eleitoral, boicoteado por alguns representantes de centro e de esquerda, que se negavam a votar em um dos dois candidatos dos partidos hegemônicos, Ennahdha e Nidaa.

Ennahdha ganhou em Tunes nas eleições municipais de 6 de maio – as primeiras desde a revolução e que foram marcadas por uma forte abstenção -, mas não conseguiu maioria absoluta, ao obter 21 assentos de 60.

Abderrahim acompanha o Ennahdha há bastante tempo. Ela foi militante durante seus anos de estudante universitária e ocupou uma cadeira do bloco Ennahdha na Assembleia Constituinte de 2011-2014. Depois desapareceu quase completamente do cenário político, até as eleições municipais de 6 de maio.

Essas eleições supõem o começo da descentralização, um projeto crucial em um país onde as eleições municipais costumavam contar com pouca autonomia, dependendo de uma administração central frequentemente marcada pelo clientelismo.