PEQUIM, 16 JAN (ANSA) – O premiê do Canadá, Mark Carney, anunciou que o país importará até 49 mil carros elétricos da China com tarifas alfandegárias reduzidas e disse que as relações com o gigante asiático hoje são “mais previsíveis” do que com os Estados Unidos.
Em visita a Pequim nesta sexta-feira (16), Carney se reuniu com o presidente Xi Jinping, com quem fechou acordos para derrubar barreiras comerciais, reduzir tarifas de importação e retirar a exigência de vistos para turistas, em uma “nova parceria estratégica” que deixa para trás anos de disputas comerciais, crises diplomáticas e até prisões de cidadãos de um país no outro.
A aproximação se dá na esteira das investidas do presidente americano, Donald Trump, que chegou a ameaçar anexar o Canadá no início de seu segundo mandato e impôs tarifas para tentar enfraquecer a economia do país vizinho.
“As relações com a China são mais previsíveis do que aquelas com os Estados Unidos”, declarou o premiê canadense. Segundo ele, o país importará até 49 mil carros elétricos chineses com alíquotas alfandegárias de 6,1%, em um passo para retornar as relações bilaterais aos níveis anteriores às tensões dos últimos anos.
Em troca, Pequim vai reduzir as barreiras contra uma série de produtos agroalimentares, como carne bovina. preparados para animais domésticos e sementes de canola – para estas últimas, as alíquotas combinadas devem cair de 84% para 15%.
“Recebemos com satisfação os planos das empresas chinesas de expandir significativamente seus investimentos no Canadá em grandes projetos de energia limpa, além daqueles relacionados à agricultura e a bens de consumo”, acrescentou Carney, que é o primeiro premiê canadense a visitar a China em oito anos.
O país asiático também permitirá a entrada de visitantes do Canadá sem visto. “O desenvolvimento saudável e estável das relações China-Canadá serve aos interesses comuns de nossos dois países”, disse Xi.
Para Pequim, também tarifada por Trump, a parceria com Ottawa também é uma oportunidade de reforçar a cooperação com um país do G7 e situado tradicionalmente na esfera de influência americana. (ANSA).