Campeão mundial, Lucas Moraes busca no Rally Dakar o caminho para mais um título

Competição chega ao fim neste sábado, 17 de janeiro

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Lucas Moraes busca no Rally Dakar o caminho para mais um título Foto: Divulgação/Red Bull

A poucas etapas do seu final, o Rally Dakar, uma das mais icônicas provas do automobilismo, está fazendo muito piloto “comer poeira” em busca do título da prova que chega a sua 48ª edição, entre eles alguns brasileiros. Pelo sétimo ano consecutivo, a competição acontece integralmente na Arábia Saudita, mas desta vez o percurso está mais longo e adentrando terrenos mais pedregosos. O desafio de enfrentar o deserto se mantém. A largada foi dada no dia 3 de janeiro e irá cumprir um percurso de aproximadamente 8.000 km até se encerrar no sábado, 17.

Como ocorre desde 2022, o Rally Dakar abre a temporada do campeonato mundial de rally-raid, o W2RC. Para um brasileiro, a competição traz um elemento extra de desafio. Lucas Moraes tentará obter seu melhor resultado na tradicional prova e, assim, partir com mais vantagem para a busca do bicampeonato mundial. Em 2025, Lucas conquistou o título em outubro, na categoria de carros Ultimate (a mais veloz e competitiva), ao terminar o Rally do Marrocos em segundo lugar.

Em 2023, Lucas já tinha feito história ao se tornar o primeiro brasileiro a subir no pódio da classificação geral dos carros, terminando em 3º lugar logo em sua estreia. Em 2024, conquistou outro feito inédito: a primeira vitória de um piloto brasileiro em uma etapa especial do Dakar na categoria principal. É uma das grandes apostas do país nos próximos anos, incluindo a disputa inicial do calendário 2026.

O Rally Dakar é a maior e mais extrema prova de resistência do automobilismo mundial. Criado em 1979 pelo francês Thierry Sabine, que se perdeu no deserto durante um rali e decidiu que aquela experiência de sobrevivência deveria ser compartilhada, o evento tornou-se o principal desafio para pilotos de motos, carros, caminhões e UTVs (veículo utilitário de terreno).

A competição funciona no formato de rally-raid, uma modalidade de longa distância que é organizada em terrenos off-road. Diferentemente de um rali tradicional de velocidade em estradas fechadas, no Dakar a navegação é tão importante quanto a velocidade.

A prova é feita em estágios, que duram cerca de duas semanas, divididas em etapas diárias (estágios) que podem cobrir de 500 a 900 km por dia. Os competidores enfrentam diferentes terrenos, como dunas de areia gigantescas, lama, rochas cortantes e poeira intensa.

Outro obstáculo é que os pilotos não conhecem o caminho exato. Eles recebem um roteiro (o roadbook) com coordenadas e perigos indicados, devendo passar por pontos de controle obrigatórios (waypoints).

Rally Dakar é a maior e mais extrema prova de resistência do automobilismo mundial – Foto: Divulgação/Red Bull

Durante décadas, o nome oficial do circuito era Rally Paris-Dakar, pois a largada tradicional ocorria na capital francesa. A chegada era em Dakar, no Senegal. Posteriormente, o nome foi simplificado para Dakar por motivos como identidade global, valorização da marca e até por questões de geopolítica e segurança.

Em 2008, o evento foi cancelado na véspera da largada devido a ameaças terroristas da Al-Qaeda na Mauritânia. Para garantir a sobrevivência da prova, a organização (ASO) decidiu transferi-la para a América do Sul em 2009. Depois, migrou para a Arábia Saudita, onde permanece.

Como a prova deixou de passar fisicamente por Paris ou Dakar, o nome “Dakar” tornou-se um símbolo do espírito de aventura de quem se aventura por tal tipo de terreno. Sem deixar de lado as altas doses de desafio, independentemente do local geográfico onde a competição é realizada.

Outros brasileiros

Além de Lucas, a categoria de carros (Ultimate) e de protótipos leves conta com dois nomes fundamentais para entender o sucesso atual do país na modalidade: Marcos Moraes e Marcelo Gastaldi.

Marcos é pai de Lucas, e uma figura central no rali do Brasil. Ele foi o responsável por profissionalizar o Rally dos Sertões, transformando-o em uma das maiores provas do mundo sob a gestão da Dunas Race. Como competidor, Marcos participa no Dakar tanto na categoria de motos, quanto na de carros. Marcos e Lucas são sobrinhos de primeiro e segundo grau, respectivamente, de Antônio Ermírio de Moraes, que foi presidente do Grupo Votorantim.

Já Gastaldi é um piloto de elite que tem mostrado evolução constante. Em 2024, ele brilhou ao vencer a 10ª etapa do Dakar na categoria de protótipos leves, superando nomes renomados do cenário internacional. Com vitórias importantes também no Rally dos Sertões, Marcelo é conhecido por sua pilotagem técnica e agressiva.

Até o fechamento desta edição, com a 10ª etapa disputada, Lucas Moraes ocupava a oitava posição na classificação geral. Neste ano, 71 carros inscritos no W2RC – e 34 na classe Ultimate – deram largada no Rally Dakar.