Uma campanha lançada na Itália pede que o próximo Prêmio Nobel da Paz seja concedido às crianças da Faixa de Gaza, um enclave palestino que foi devastado pela recente guerra entre Israel e Hamas. A iniciativa, impulsionada pelo professor de filosofia Eugenio Mazzarella, da Universidade de Nápoles Federico II, ganhou notoriedade após a publicação de um texto no jornal católico Avvenire e já conta com a adesão de diversas personalidades do mundo político italiano.
- Uma campanha na Itália propõe o Prêmio Nobel da Paz para as crianças de Gaza.
- A iniciativa busca chamar atenção para o sofrimento da infância em zonas de conflito.
- A proposta gerou apoio de políticos e críticas sobre a exclusão de outras vítimas da guerra.
Segundo Mazzarella, conceder o Nobel da Paz às crianças de Gaza, “que ainda estão morrendo porque a paz prometida não chegou”, seria um “ato de verdade e justiça”. Ele enfatiza que o reconhecimento se estenderia a toda a infância que sofre em decorrência de conflitos armados.
O docente, contudo, esclarece que o sofrimento não é exclusivo das crianças palestinas. “As vítimas inocentes da guerra não são apenas as crianças de Gaza: há as crianças israelenses mortas no sangrento ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e aquelas que morreram posteriormente em prisões terroristas. Há crianças ucranianas e russas, e há os pequenos iranianos e sudaneses”, escreveu Mazzarella.
A adesão e o debate político
A campanha recebeu adesão imediata de expoentes políticos na Itália, a começar pela principal liderança de oposição no país, a deputada Elly Schlein, secretária do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda.
“Apoio o apelo para que o Prêmio Nobel da Paz seja concedido às crianças de Gaza, pela falta de paz”, declarou Schlein em comunicado. Ela explicou que, “apesar da trégua, pessoas continuam morrendo” no enclave, tanto “sob as armas do exército israelense e pelos crimes de Netanyahu quanto devido à falta de alimentos, água e medicamentos”.
A deputada, cuja família é de origem judaica, reforçou a urgência da situação. “O Unicef diz que morreu uma criança por dia em Gaza desde o início da guerra. As ajudas humanitárias necessárias aos palestinos nunca chegaram, e a fome é usada como arma de guerra”, acrescentou Schlein.
Pierluigi Bersani, ex-ministro e ex-secretário do PD, também se juntou à campanha. Ele afirmou que dar o Nobel da Paz às crianças de Gaza significaria “quebrar o silêncio e restituir um pouco de voz à humanidade”.
Já o deputado Angelo Bonelli, líder da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), cobrou a adesão do governo da premiê de direita Giorgia Meloni. “Após ter proposto Trump ao Nobel da Paz, Meloni poderia fazer a coisa certa aderindo ao apelo do Avvenire”, ressaltou Bonelli, salientando que as crianças “pagam o preço das políticas criminosas” do premiê israelense, Benjamin Netanyahu.
Qual a crítica à iniciativa?
Por outro lado, a proposta foi alvo de críticas. O presidente da Comunidade Judaica de Milão, Walker Meghnagi, criticou a sugestão e declarou que incluir apenas os palestinos representa um “apartheid moral”.
“Eu também choro pelas crianças palestinas vítimas desse conflito terrível, mas traçar uma linha de demarcação no sofrimento dos menores é perigoso. Essa iniciativa unilateral anula as crianças judaicas, também atingidas por uma guerra que não foi desejada por Israel. É um apartheid moral: não se pode sofrer pelas crianças de um lado sem sofrer também pelas do outro”, disse Meghnagi. (ANSA).